Dia Internacional da Mulher: mobilizações no DF reforçam luta contra o feminicídio e por igualdade

Neste domingo (8), o Dia Internacional da Mulher será marcado por mobilizações políticas e culturais em todo o país e no Distrito Federal. O Sinpro convida a categoria a se somar à CUT e às demais centrais sindicais nas mobilizações que também ocorrem em Brasília, com concentração no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), a partir das 13h, seguida de marcha até o Palácio do Buriti, às 15h. As atividades contam com a participação do coletivo 8 de Março Unificadas do DF e Entorno, sindicatos e movimentos sociais. A proposta é tornar a data um momento de denúncia e protesto diante do aumento da violência contra as mulheres no Brasil e em defesa do fim da jornada 6X1, dentre outras reivindicações.

O ato público reafirma as bandeiras históricas em defesa dos direitos das mulheres e, além de trazerem para a centralidade das mobilizações a luta por uma jornada de trabalho digna, exigem ações definitivas contra o feminicídio, diante do alarmante aumento desse crime no Brasil: a cada 24 horas, quatro mulheres são vítimas de feminicídio no país. O Sinpro destaca o papel da educação na construção de uma sociedade baseada na igualdade de gênero e no respeito à vida das mulheres.

No movimento sindical, o Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT lançou, na quinta-feira (5), um manifesto com o lema “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6×1”, que reúne reivindicações históricas dos movimentos feministas, pela soberania dos povos e exige providências em defesa da vida das mulheres.

No Sinpro, a coordenadora da Secretaria para Assuntos de Mulheres, Berenice Darc, afirma que o crescimento dos assassinatos de mulheres exige que o feminicídio seja tratado como uma crise social urgente. “Estamos vivendo tempos de feminicídio. É uma realidade dolorosa que precisa ser encarada quase como uma pandemia social. As mulheres estão morrendo e muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com investimento em políticas públicas efetivas de prevenção e de proteção”, afirma.

Berenice afirma que a negligência do poder público e a fragilidade das políticas de enfrentamento à violência agravam o problema. “Quando faltam políticas públicas, rede de acolhimento e de prevenção, quem paga o preço são as mulheres. Precisamos denunciar essa realidade e transformar o 8 de março em um momento de mobilização para dizer que não aceitaremos mais mulheres mortas”, destaca.

Regina Célia Pinheiro, diretora do Sinpro, afirma que a escola tem um papel estratégico na transformação dessa realidade. “A educação é uma ferramenta fundamental para combater a violência de gênero. É na escola que podemos formar novas gerações baseadas no respeito, na igualdade e na valorização da vida das mulheres”, ressalta.

Silvana Fernandes, também diretora do Sinpro, afirma que o 8 de março é um momento de fortalecer a organização coletiva das mulheres. “Não podemos naturalizar esses números. Cada feminicídio representa uma vida interrompida e uma família devastada. Por isso, precisamos transformar indignação em mobilização e cobrar políticas públicas que garantam proteção e dignidade às mulheres”.

FBSP mostra os números do aumento do feminicídio

Dados recentes reforçam a gravidade da situação. O levantamento “Retrato dos feminicídios no Brasil – 2006-2026 – 20 Anos”, divulgado, na quarta-feira (4), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número da última década, e um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde que o crime foi tipificado na legislação brasileira, em 2015, mais de 13,7 mil mulheres foram assassinadas por razões de gênero no país. O estudo também mostra que 62,6% das vítimas são mulheres negras, evidenciando como o feminicídio está ligado a desigualdades sociais e raciais. (CNN Brasil)

“Em uma noite comum, dentro de casa – o espaço que deveria significar proteção – a escalada da violência atinge o seu ponto máximo. O autor não é um estranho. É o atual companheiro, responsável por quase seis em cada 10 feminicídios registrados no país. Ou é o ex-companheiro, autor de dois em cada 10 casos, que não aceita o fim da relação e responde com controle e agressão. Em outros casos, é um familiar. Em apenas 4,9% dos casos o agressor era desconhecido da vítima. Esta seção faz um retrato dos feminicídios no Brasil a partir da análise de 5.729 casos de feminicídio ocorridos entre os anos de 2021 e 2024 e registrados pelas polícias”, aponta o relatório do FBSP.

Outros estudos indicam que o cenário pode ser ainda mais grave. Um levantamento do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina aponta que 6.904 mulheres foram vítimas de feminicídio consumado ou tentado em 2025, sendo 2.149 assassinatos e 4.755 tentativas. O estudo estima que o número real de vítimas pode ser 38% maior do que os registros oficiais, o que revela forte subnotificação desses crimes. (Agência Brasil)

Programação e mobilização neste domingo (8)

No Distrito Federal, as mulheres são convidadas a ocupar as ruas em um grande ato político-cultural, organizado pela CUT-DF, cujo mote é “Mulheres do DF e Entorno marcham contra a violência e pela vida”, e outros movimentos sociais, como o “8 de Março Unificadas do DF e Entorno”. Durante o ato público, haverá uma performance do Levante Feminista durante a concentração e as Fanfarrilheiras irão puxar o início da marcha. O “Batalá” irá entrar na marcha na altura do Mané Garrincha e, na Praça do Buriti, haverá outra performance do Levante Feminista.

As atividades buscam fortalecer a organização das mulheres e a ampliar a pressão por políticas públicas eficazes de proteção. Berenice Darc, a mobilização é também um chamado à sociedade: “Precisamos afirmar que nenhuma mulher deve morrer por ser mulher. O 8 de março é o momento de transformar o luto em luta e exigir o direito fundamental das mulheres à vida”.

Serviço
Evento: 8M – Dia Internacional da Mulher
Data: 8 de março (domingo)
Local e horário: Concentração no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte) a partir das 13h e marcha até o Palácio do Buriti, às 15h