2ª Conferência das Aposentadas e Aposentados do Sinpro reúne 200 participantes e fortalece debate sobre direitos e vivências
Envelhecer com direitos é uma das principais bandeiras de luta das professoras, professores, orientadoras e orientadores educacionais da rede pública de ensino do Distrito Federal (DF). Com esse pleito no foco das discussões, a 2ª Conferência das Aposentadas e Aposentados do Sinpro reuniu cerca de 200 participantes, nessa segunda-feira (6) e terça-feira (7), na chácara da entidade, para debater a conjuntura política, econômica e social internacional, nacional e local, além de analisar o papel do Estado e da sociedade na garantia de políticas públicas que assegurem um envelhecimento digno, saudável e humanizado.
Com o tema “Aposentadoria: Mais vivências e mais direitos”, o encontro contou com a participação do secretário nacional dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, que destacou a necessidade de ações integradas em áreas como saúde, economia, moradia, educação, lazer e convivência, garantindo autonomia, independência e dignidade à população idosa. A partir de seis grupos de trabalho, foram formuladas propostas que orientam a luta do Sinpro e reforçam a responsabilidade do Estado na implementação de políticas públicas estruturantes, especialmente no DF.
Conduzida pelas diretoras da Secretaria de Aposentadas e Aposentados do sindicato, Elineide Rodrigues (coordenadora), Consuelita Oliveira e Izabela Cintra, a conferência consolidou prioridades, como a defesa da paridade salarial, o combate ao confisco das aposentadorias, a ampliação de políticas de saúde e bem-estar, o enfrentamento ao idadismo e o fortalecimento de ações que promovam inclusão, convivência e qualidade de vida. Confira as fotos no final desta matéria.
Eixos de luta para 2026
As(os) participantes aprovaram eixos de luta que preveem não só o combate ao idadismo, mas também o incentivo ao letramento digital, a promoção da intergeracionalidade e a vigilância rigorosa sobre a gestão dos recursos do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev) e do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Distrito Federal (Inas). As principais resoluções da conferência focam na garantia de qualidade de vida e na manutenção de conquistas históricas, com destaque para a luta intransigente pela paridade salarial entre servidoras e servidores ativos e aposentadas e aposentados, bem como o combate ao confisco das aposentadorias. No campo da saúde e bem-estar, as prioridades incluem a criação de unidades de geriatria em hospitais públicos, a implementação de um auxílio nutrição, a ampliação da Farmácia Popular e a construção de centros de convivência e centros-dia em todas as Regiões Administrativas (RA).
A programação contou com mesas de debate, análise de conjuntura e discussões sobre políticas públicas voltadas à população idosa. No primeiro dia, além do secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Alexandre da Silva; a dirigente licenciada da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Rosilene Corrêa; o representante da CUT Nacional e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Antônio Lisboa; e o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues. No segundo dia, o debate incluiu parlamentares do Distrito Federal, como a deputada federal Erika Kokay, o deputado distrital Gabriel Magno, ambos do PT, e o deputado federal Reginaldo Veras (PV-DF), que abordaram perspectivas legislativas relacionadas às aposentadorias e aos direitos da pessoa idosa.
GTs definiram prioridades
Além das mesas temáticas, a conferência promoveu grupos de trabalho organizados em seis eixos, que discutiram temas como envelhecimento, políticas públicas, diversidade, saúde mental e conjuntura de lutas. As discussões resultaram em propostas que serão sistematizadas pela direção do sindicato e pela Secretaria de Aposentados, com encaminhamentos previstos para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), a Secretaria de Educação (SEEDF) e a atualização da pauta de reivindicações da categoria.
A coordenadora da Secretaria de Assuntos de Aposentados, Elineide Rodrigues, afirma que a conferência cumpre um papel essencial na organização e escuta das(os) aposentadas(os). “É fundamental que as pessoas aposentadas se reúnam para debater suas questões, trazer proposições e se sentirem participantes desse processo da educação, que é contínuo e não se encerra com a aposentadoria”. Ela disse que o encontro foi marcado por momentos de reencontro, confraternização e troca de experiências, o que reforça o sentido coletivo do Sinpro.
A dirigente destacou ainda que a conferência passa a integrar o calendário permanente do sindicato, com realização prevista a cada 2 anos. “Foram dias muito agradáveis, de debates ricos sobre aposentadoria, envelhecimento e o direito de envelhecer com dignidade”, completou. O evento reafirma o papel ativo das(os) aposentadas(os) na vida sindical e na construção de políticas que garantam mais qualidade de vida, cidadania e direitos no pós-carreira.
Acesse as redes sociais do Sinpro para ver as fotos do evento e, a seguir, confira as prioridades aprovadas que irão conduzir a luta das aposentadas e aposentados sindicalizados definidas a partir dos seis temas debatidos pelos Grupos de Trabalho (GT):
Prioridades aprovadas na 2ª Conferência das Aposentados e Aposentados do Sinpro
1 – Sobre o envelhecer: mais vivências e mais direitos:
1.1 – Cobrar do GDF, a criação e/ou ampliação de espaços e serviços de convivência comunitária em todas as regiões administrativas do DF, oportunizando as pessoas idosas, para além de usufruir desses, contribuírem para com e no desenvolvimento das atividades: cursos, palestras e oficinas.
1.2 – Atuar, junto aos poderes Executivo e Legislativo pela criação e funcionamento, nos hospitais públicos/UPAS de áreas adaptadas às pessoas idosas, com ofertas de todas as especialidades médicas.
1.3 – Desenvolver campanhas junto à comunidade sobre o envelhecer, a importância e necessidade de incluir e estimular pessoas idosas a participarem nas e das atividades diversas na e da comunidade, sejam elas culturais, esportivas de lazer, envolvendo todas as faixas etárias (convivência mútua).
1.4 – Lutar, junto aos governos local e federal, pela implantação/implementação de centros de letramento em todas as regiões administrativas do DF ou núcleos por agrupamentos de RAs.
1.5 – Dentro da política de cuidados defendida pelo Sinpro-DF, pensando na qualidade de vida, saúde da pessoa idosa, continuar ofertando cursos, palestras, oficinas sobre alimentação saudável, preferencialmente, que tenham pessoas idosas no papel de formadores(as), reconhecendo seus saberes, suas vivências como por exemplo: cultivo de ervas medicinais, hortaliças).
1.6 – Propor ao GDF a revitalização e ressignificação das bibliotecas públicas, atualizando o acervo com referências bibliográficas que dialoguem com os interesses e necessidades das pessoas idosas e criar projetos que tenham o protagonismo dessas pessoas na execução dos mesmos.
1.7 – Reivindicar, junto ao poder executivo, uma política pública de saúde para a pessoa idosa em sua integralidade, considerando aspectos diversos (físico, mental, econômico e social) de forma que na prática, essas pessoas possam ter reservas e poupanças nas áreas da saúde, segurança e aprendizado/conhecimento para garantir uma política de envelhecimento de bem viver ou viver bem na família, na comunidade e no conjunto da sociedade.
1.8 – Propor à Secretaria e Educação a inclusão no calendário escolar, um dia letivo temático para debater aspectos específicos das pessoas idosas, preferencialmente no dia da Pessoa Idosa.
1.9 – Reivindicar, junto ao Poder Legislativo, a criação de uma lei que obrigue as instituições públicas, a disponibilizarem em locais visíveis e acessíveis, exemplares do Estatuto da Pessoa Idosa.
1.10 – Confeccionar material didático de apoio escolar, através do Sinpro-DF, a exemplo do Estatuto da Pessoa Idosa para orientar a comunidade escolar sobre a importância das políticas públicas para a população idosa.
2 – Legislação e Políticas Públicas: garantir e ampliar direitos:
2.1 – Lutar pela garantia de renda com a manutenção da paridade, assegurando que os aposentados recebam os mesmos reajustes salariais dos servidores em atividade.
2.2 – Enfrentar o “idadismo” por meio da desconstrução do discurso preconceituoso e excludente.
2.3 – Lutar pela implantação de um auxílio nutrição para que sejam garantidos os nutrientes essenciais básicos para o corpo humano, diariamente.
2.4 – Lutar pela ampliação da Farmácia Popular, com uma cobertura maior de medicamentos de uso contínuo, voltada à pessoa idosa, bem como o oferecimento de suplementos alimentares.
2.5 – Lutar pelo fortalecimento do SUS para o atendimento à pessoa idosa, com geriatras e equipes multidisciplinares.
2.6 – Lutar pela ampliação dos Centros de Convivência nas RAs para que a pessoa idosa possa fortalecer os vínculos comunitários com a oferta de atividades diversas.
2.7 – Lutar pela implementação de atividades físicas em todas as RAs, através dos Pontos de Encontros Comunitários-PECs, com a presença de educadores físicos.
2.8 – Lutar pela acessibilidade/mobilidade com ampliação de vagas para acolhimento institucional para a pessoa idosa, oferecendo um ambiente seguro e acolhedor.
2.9 – Propor ao poder executivo a criação de centros-dia para acolher a pessoa idosa enquanto os familiares trabalham fora: com psicólogos, assistentes sociais e cuidadores.
2.10 – Lutar pela ampliação dos Centros de Convivência nas RAs para que a pessoa idosa possa fortalecer os vínculos comunitários, com atividades diversas.
3 – Aposentadoria, envelhecimento e diversidade: debates contemporâneos:
3.1 – Incentivar a educação continuada para a população idosa.
3.2 – Incentivo ao voluntariado.
3.3 – Lutar pela inclusão digital.
3.4 – Lutar por políticas públicas de acessibilidade.
3.5 – Incentivar a promoção de atividades físicas e culturais.
3.6 – Lutar pela redução da jornada de trabalho.
3.7 – Incentivar o empreendedorismo.
3.8 – Incentivar a economia prateada.
3.9 – Consolidar o estatuto do idoso.
3.10 – Lutar pela garantia da aposentadoria digna.
4 – Conjuntura de lutas: na categoria, no Distrito Federal, no Brasil e no mundo:
4.1 – Conscientizar sobre as leis a respeito das políticas públicas dos idosos, como fila de prioridades em farmácias, estacionamentos, faixas de pedestres, etc.
4.2 – Lutar pela paridade para ativos e aposentados.
4.3 – Lutar para que a mensalidade do INAS seja ser paga pelo Fundo Constitucional, como acontece com outras categorias. Lutar pelo pagamento apenas da coparticipação no plano de saúde.
4.4 – Informar sempre sobre a situação do INAS e do IPREV, para onde vão os recursos, pagamentos dos médicos, etc.
4.5 – Informar sobre a real situação do BRB no escândalo com o banco Master e denunciar os políticos e servidores envolvidos.
4.6 – Atualizar a categoria sobre a situação dos precatórios.
4.7 – Manter um canal de comunicação permanente do Jurídico do Sinpro com a categoria.
4.8 – A mídia do Sinpro deve, neste ano eleitoral, publicar vídeos curtos com impacto e linguagem acessível, explicando as falcatruas do GDF em relação ao desvio de recursos da educação e da saúde.
4.9 – Lutar pela simplificação das aposentadorias e contra o confisco das mesmas.
4.10 – Incentivar os aposentados e aposentadas à leitura e formação de grupos de leitura, clube de livros.
5 – A sociedade do cuidado: cuidar do outro, de si e do mundo:
5.1 – Buscar terapias de grupo.
5.2 – Incentivar Clubes de Livros.
5.3 – Participar das atividades esportivas do Sinpro-DF.
5.4 – Debater o conceito de morte assistida.
5.5 – Apoiar o grupo de bordados.
5.6 – Ampliar as atividades para os aposentados de maneira descentralizada nas cidades.
5.7 – Incentivar projetos que apoiam os cuidadores de idosos.
5.8 – Incentivar a formação permanente para ampliar conhecimento e capacidade cognitiva.
5.9 – Utilizar a Chácara do Professor para atividades diversas dos aposentados(as).
6 – Envelhecer com autonomia, independência, dignidade e saúde mental:
6.1 – Incentivar de forma salutar a INTERGERACIONALIDADE, estreitando o relacionamento o intercâmbio entre gerações, almejando uma cultura de educação e evolução permanente e continuada. “Quando a boca cala os órgãos adoecem”.
6.2 – Apoiar projetos de Economia Criativa para contribuir na formação de cooperativas artesanais, projeto social de vida e outros.
6.3 – Apoiar campanhas de fortalecimento do SUS e criação de hospitais públicos pra pessoas idosas.
6.4 – Apoiar maior participação das pessoas idosas nos Conselhos de Gestores das UBS.
6.5 – Lutar pela realização de concursos públicos para cargos de geriatras, gerontólogos, Terapeuta Comunitária Integrativa, Terapeuta Homeopático, Fitoterapia e Acupuntura.
6.6 – Exigir dos Poderes Públicos maior e melhor acessibilidade nos espaços públicos e privados como: bancos, praças, seguradoras, plataformas e órgãos públicos.
6.7 – Realizar palestras sobre educação financeira, Geriatria e Gerontologia, automassagem, Clube do Livro, Tai Chi Chuan, Terapia Comunitária Integrativa, etc.
6.8 – Buscar parcerias com a UnB Idiomas, oficinas com a Fiocruz, Senar, IFB, UnDF, etc.
6.9 – Promover debates e conscientização contra a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral referente às mulheres, negros, PCDs, LGBTQIA, indígenas, idosos, e outros.
6.10 – Combater o etarismo através de campanhas educativas e mais direitos sociais, construindo políticas de afeto.
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