Dia Nacional de Combate ao Bullying e à violência nas escolas
Neste dia nacional de combate ao bullying e à violência nas escolas, é importante fazermos uma pausa para observar a importância do trabalho de educadores e educadoras no ambiente escolar.
Nós, professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais continuamos lutando contra essa realidade nefasta. É na escola que se identificam potenciais problemas e se corrigem comportamentos nocivos à convivência em sociedade.
Essa pausa é importante para lembrarmos que a motivação inicial para a criação do Dia Nacional de Combate ao Bullying foi a data do Massacre de Realengo, perpetrado num já longínquo abril de 2011. De lá pra cá, houve alguns avanços dos discursos de ódio, que levaram a ataques a outras escolas. Mas também houve uma ação incisiva, numa parceria estratégica entre educadores e polícia – que, neste caso, revelou-se não só importante como fundamental e necessária. Quinze anos depois do Massacre de Realengo, a onda de atentados armados contra escolas diminuiu bastante. Mas o ódio e o bullying ainda estão presentes nas escolas.
A partir de 2023, houve a identificação de grupos que cometiam crimes hediondos ao propagar ódio e incentivar o ataque a escolas. Esses grupos foram combatidos com inteligência policial e, dentro da escola, nós fizemos nossa parte. Promovemos a cultura da paz. Incentivamos a empatia. Mostramos a importância de observar, acolher e respeitar o outro.
Neste ano de 2026, o que se percebe e se destaca é que os casos de bullying e violência nas escolas se destacam em escolas militarizadas, que são apresentadas à sociedade como solução para violência e falta de disciplina.
Em Toledo (PR), um militar aposentado que atua como monitor numa escola militarizada sacou uma arma na presença de estudantes e apontou para o rosto de uma trabalhadora de 65 anos, ofendendo-a com palavras de cunho etarista e sexista.
Aqui em Brasília, na semana passada, uma aluna de escola militarizada em Samambaia foi apreendida após ser flagrada portando uma faca de cabo branco dentro de sua mochila. A confusão começou com um incidente durante uma aula de educação física, e migrou para as redes sociais, com ameaças diretas entre alunas da escola.
Nunca é demais ter sempre em mente que o bullying não necessariamente está atrelado ao cometimento de atentados contra as escolas, mas ambientes virtuais de redes sociais, como grupos de WhatsApp ou Telegram, aplicativos como Discord e chats de games online, que são locais com zero acompanhamento pedagógico e zero monitoramento de responsáveis. Esses são o local perfeito para a implantação e disseminação de discursos de ódio entre adolescentes que ainda estão em fase de amadurecimento psicológico.
Associados à cultura de enaltecimento de escolas militarizadas, ambiente que corrobora com o discurso armamentista e com a opressão por meio da violência como forma de “promover a disciplina”, são o terreno mais que fértil para a deturpação de visão de mundo dos adolescentes influenciáveis.
O combate ao bullying não se limita a um dia: exige monitoramento constante e diálogo para construir uma convivência escolar baseada no respeito, diálogo e aprendizado.
Se hoje os atentados violentos às escolas estão sob controle, o bullying ainda se faz presente – principalmente em escolas militarizadas. Há muito o que se comemorar, mas nem de longe nossa missão está concluída: bullying é violência e precisa ser enfrentado coletivamente, diariamente, massivamente, incansavelmente. Esse é um trabalho didático e pedagógico, jamais militarizado.
Escola é lugar de respeito, acolhimento e proteção.
