Artigo | A importância do Estado e das políticas públicas para pessoas aposentadas

Rosilene Corrêa, professora aposentada da SEEDF e dirigente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), debate em artigo a importância da presença do Estado e de políticas públicas para a valorização das pessoas aposentadas, levando em consideração que a expectativa de vida ao nascer no Brasil tem aumentado. Publicado originalmente na nona edição do Jornal Inativo é Quem Não Luta. Leia abaixo.

 

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A importância do Estado e das políticas públicas para pessoas aposentadas

 

Estar aposentada ou aposentado hoje é bastante diferente de décadas atrás. O mundo tem se transformado com rapidez, e o desenvolvimento das tecnologias, das ciências e a luta pela ampliação de direitos fazem com que nossa inserção no mundo, nesta fase da vida, ganhe novas cores. Mas será que as políticas para aposentadas e aposentados tem se atualizado com a mesma rapidez?

Uma informação muito relevante é o crescimento da expectativa de vida. Segundo dados do IBGE, em 2024, o índice de expectativa de vida ao nascer no Brasil chegou ao mais alto patamar da história, com 76,6 anos. Para efeito de comparação, em 1980, esse índice era de 62,5 anos.

Isso significa que, depois de nos aposentarmos, de darmos nossa contribuição à educação e ao mundo do trabalho, temos mais tempo para desenvolver novas habilidades, desfrutar da família e dos amigos, realizar sonhos. Para viver com qualidade e plenitude essa fase, que tem tudo para ser uma fase muito feliz, são necessárias políticas públicas e o fortalecimento de uma cultura inclusiva, não discriminatória e de tolerância.

Saúde pública de qualidade, segurança – inclusive no meio digital -, acessibilidade, direito à cidade, lazer, cultura, transporte público de qualidade e acessível, ações afirmativas para inclusão no mercado de trabalho e na educação. Esses são direitos de toda a população, mas ainda mais essenciais para aquelas e aqueles que ultrapassam o marco dos 60 anos. Fazer valerem esses direitos é tarefa dos governos e do poder legislativo.

O que temos visto na Câmara Federal, no Senado e na Câmara Legislativa, no entanto, são iniciativas para a retirada de direitos e retirada de recursos e investimentos justamente nas áreas elencadas acima. Muitos parlamentares ocupam essas casas impondo resistência aos projetos de desmonte e sucateamento do serviço público, e essa tem sido uma luta árdua. Precisamos fortalecer esse setor!

2026 é um ano muito importante e nós precisamos seguir juntos e juntas. Ano de eleições sempre traz a oportunidade de debater um projeto para o DF e para o país, e nós precisamos fazer isso tanto sob o olhar de educadores quanto sob o olhar de pessoas aposentadas.

Viver com qualidade é direito de todas as brasileiras e todos os brasileiros. Nós, aposentadas e aposentados da educação, exigimos respeito às nossas trajetórias e também ao nosso futuro.