Por administrador em 02/dez/2014

Orientadora educacional diz que desafio é trazer a juventude para a escola



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Wilma2Há 32 anos a pedagoga Wilma Wany Batista Pereira exerce a função de orientadora educacional na Secretaria de Educação do Distrito Federal. Nessas mais de três décadas de atuação na profissão, ela identifica um único desafio praticamente invencível, que perpetua através do tempo e a cada dia se torna mais difícil de resolver: “é conquista da família do(a) educando a ponto de trazê-la para dentro da escola”.

Ela diz que agora, na véspera de sua aposentadoria, vê um novo desafio adquirir relevância e consistência no dia a dia do orientador. “Hoje, o desafio é também trazer o(a) próprio(a) aluno(a) para dentro da escola. A cada dia eles e elas estão cada vez mais desinteressados. Nos últimos 10 anos esse desencanto piorou muito”, afirma a orientadora. O resultado dessa situação é que Wilma tem deixado de realizar muitos trabalhos, sobretudo com os(as) da Cidade Estrutural. “Vamos buscar os(as) estudantes  na praça, nas ruas. Eles e elas e suas respectivas famílias não têm perspectiva de vida e tudo corre solto”, denuncia.

Esse diagnóstico de Wilma sobre o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 4, em que ela atua e situado no Guará I, o qual recebe estudantes da Cidade Estrutural, já foi verificado em outras escolas e preocupa o governo. Um estudo divulgado pelo Ministério da Educação, em 2013, mostra que a escola não consegue mais atrair o jovem brasileiro. Estatísticas sobre a quantidade de matrículas no ensino médio caiu de 8,7 milhões para 8,3 milhões na última década (2002-2012). O governo ainda não divulgou os números de 2014.

Assim como classifica o desinteresse da juventude pela escola e a ausência da família como desafios quase que invencíveis para o sucesso da boa mediação que garanta a aprendizagem dos(as) estudantes, Wilma afirma que a categoria enfrenta outros problemas, como, por exemplo, o tratamento isonômica em relação à aposentadoria. “A nossa aposentadoria é diferente da dos(as) docentes, muito embora a gente trabalha na mesma empresa e executa a mesma atividade”. Ela também aponta a falta de reconhecimento do papel do orientador educacional na escola entre seus pares.

“A gente percebe que mesmo trabalhando o conceito de nossa profissão a vida toda, as pessoas na escola continuam sem saber o que o(a) orientador(a) educacional faz e alguns(as) professores(as) pensam que a gente é para ficar só na área da disciplina. Cuidar da disciplina é atribuição de todos que atuam na escola”, avisa.

Apesar dos desafios, Wilma diz que adora a profissão. “O maior prazer que tenho na vida é trabalhar com o(a) aluno(a). O(a) orientador(a) educacional é a pessoa que o(a) aluno(a) mais confia. A gente sabe de muitas histórias. É emocionante. Temos um outro olhar sobre o(a) estudante. É gratificante também poder ajudar o(a) professor(a) porque a gente trabalha o coletivo. Amo trabalhar na escola, com gente e ser dinâmica. Na orientação educacional é preciso ser dinâmico(a)”, diz a pedagoga.

 

Orientadora: Wilma Wany
Escola: CEF 4, Guará I
Tempo de magistério:  32 anos
 
 
 

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