Filho de diarista que virou diplomata: a trajetória de Douglas fala sobre educação pública
Aos 31 anos, Douglas Rocha Almeida, filho de Dona Cida, diarista, e de pai pedreiro é o mais novo diplomata do Brasil. A história vem rodando o país, e desperta a reflexão sobre a importância da valorização da educação pública e da potência das políticas públicas.
Douglas estudou no Centro de Ensino Médio Elefante Branco, no DF, e só conseguiu cursar Relações Internacionais no ensino superior porque conquistou uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni).
“Douglas é sim uma pessoa inspiradora. Ele lutou para chegar onde chegou, teve o apoio da mãe e da família. Mas todo esse caminho só pôde ser trilhado porque Douglas teve como estudar, mesmo fazendo parte de uma família humilde. E pôde estudar porque há educação pública, porque há políticas educacionais que viabilizam o acesso de pretos e periféricos ao ensino superior”, afirma a diretora do Sinpro Márcia Gilda.
A história de Douglas chegou ao Palácio do Planalto. Nesta quinta-feira (15), ele foi recebido pelo presidente Lula e pela primeira dama Janja. Ao lado da mãe, o diplomata disse: “histórias como a minha são verdadeiras, são reais, existem”. “Estou admirado que você já está parecendo um embaixador”, brincou o presidente Lula.
O vídeo do encontro viralizou nas redes sociais. Assista.
Valorizar a educação
A história de Douglas Rocha Almeida ilustra com precisão o impacto social da educação e das políticas públicas voltadas ao setor. Assim como ele, outras milhares de crianças e adolescentes podem chegar aos espaços que sonham, desde que haja valorização da educação e políticas públicas consolidadas voltadas ao setor.
Segundo o Censo Escolar de 2025, o DF tem quase 450 mil estudantes matriculados em escolas públicas, distribuídos em ensino fundamental (257.236), ensino médio (75.581), educação infantil (72.174), Educação de Jovens e Adultos (22.045) e Educação Profissional e Tecnológica (15.113).
Instituído em 2005, o Prouni concedeu mais de 3,6 milhões de bolsas sendo a maioria para mulheres (56%) e negros (55%). Dados do Censo da Educação Superior de 2023 mostram que 58% dos bolsistas do Prouni concluem a graduação, taxa significativamente superior à média de 36% entre não bolsistas. Pelo balanço do próprio Prouni, em 2025, foram 1,5 milhão de estudantes diplomados.
“A história de Douglas prova de que investimento público em educação não é gasto. Aqui no DF ainda temos muita luta para fazer para que tenhamos essa valorização por parte deste GDF”, alerta Márcia Gilda. A sindicalista lembra que ainda há várias unidades escolares com péssima infraestrutura, salas de aula superlotadas e sem ventilação, estudante com deficiência sem monitor, sem falar na desvalorização do trabalho de professores e orientadores escolares.
“Já fomos a unidade da federação com melhor remuneração de todo Brasil. Nos últimos anos, tivemos que lutar duramente para não ficarmos abaixo do piso salarial, para podermos avançar em conquistas e garantir direitos. Este governo do DF não investe em educação, não respeita a categoria do magistério, não cuida da população”, avalia a diretora do Sinpro. “Mas nós somos resistência!”, afirma.
