Documentário Democracia em Vertigem é indicado para o Oscar 2020

O documentário Democracia em Vertigem, dirigido pela cineasta Petra Costa, foi indicado ao Oscar 2020. Destaque em todas as mídias do País, o filme retrata o período recente da história do Brasil em que a ex-presidenta Dilma Rousseff  é deposta da Presidência da República por um golpe de Estado e o País realiza uma eleição supostamente democrática que elegeu a ultradireita para o Palácio do Planalto. “Estamos extasiados pela @TheAcademy ter reconhecido a urgência de #DemocraciaEmVertigem. Numa época em que a extrema direita está se espalhando como uma epidemia esperamos que esse filme possa ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias. Viva o cinema brasileiro!”, declarou Petra Costa em seu Twitter no dia 6 de janeiro.

O filme conta a trajetória do golpe, seu reflexo nas eleições de 2018 e seu impacto, até hoje, no País. A narrativa de Petra contradiz, de fora a fora, a história forjada e mal contada, diariamente, pelos meios de comunicação nacionais, representantes dos grandes conglomerados financeiros e empresariais, como a Rede Globo e outras mídias. Se o que aconteceu nos últimos 5 anos no Brasil tem indignado o mundo, a mera indicação de Democracia em Vertigem para o Oscar 2020 representa o reconhecimento mundial da obra de Petra Costa e um tiro na política do governo Bolsonaro de esvaziamento da produção artística e cultural do País.

OS ATAQUES À CULTURA
Há 4 anos, arte e cultura brasileiras têm sofrido todo tipo de ataques, assim como o setor de educação. Em 2019, os assédios se intensificaram com o aprofundamento da retirada de financiamento público e intervenções político-religioso-fundamentalistas nas produções artístico-culturais. A cultura sempre recebeu menos recursos financeiros do Orçamento público, mas nunca ficou sem dinheiro. O governo Bolsonaro está tirando tudo. Ele atua para eliminar todas as áreas, em todos os canais que alimentam a educação e a cultura: Lei Rouanet, Petrobrás Cultural, Caixa Econômica Federal, SESC etc. Além disso, os órgãos que sobraram têm sido aparelhados por apaniguados.

O governo Bolsonaro tenta a todo custo sufocar a arte e a cultura do Brasil desde que colocou os pés no Palácio do Planalto. Isso acontece porque “arte e cultura é sempre um ambiente que faz pensar”, disse o ator Wagner Moura, em 2019, quando o longa Bacurau, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, foi indicado ao Festival de Cannes. Na época, meses antes de o Presidente da República soltar na mídia que os livros didáticos brasileiros “têm um montão de amontoado de muitas coisas escritas” e que é preciso diminuir isso, o ator declarou que “agora, no Brasil, há uma grande campanha contra a arte e a cultura. Contra o pensamento crítico, contra os livros. E se você estudar a história dos governos fascistas pelo mundo, verá que esses são os primeiros sinais, que isso é o vento que antecede a tempestade”.

No ano passado, a cineasta Petra Costa declarou, também em seu Twitter, que enquanto o Presidente brasileiro estava em Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU, “a Amazônia está pegando fogo junto com a democracia brasileira – o que mais cedo ou mais tarde afetará o mundo inteiro. Então, peço sua ajuda para espalhar #TheEdgeofDemocracy, um conto de como as democracias em todo o mundo estão sendo corrídas”. Na opinião de Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF, o filme de Petra faz um exercício difícil, do ponto de vista cinematográfico, porque sempre é muito difícil realizar esse tipo de registro de dados recentes. “Contudo, o documentário conseguiu trazer o período do golpe contra a presidenta Dilma e como as coisas refletem hoje até mesmo com a eleição da ultradireita para a Presidência da República”, afirma.

 

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