Ministra Macaé Evaristo convoca educadores à resistência

O painel “Diversidade e Sustentabilidade Socioambiental”, realizado na tarde desta sexta-feira (16) durante o 35º Congresso da CNTE, promoveu uma reflexão profunda sobre democracia, direitos humanos e educação pública a partir da trajetória histórica dos movimentos sociais. Mediado por Carlos Furtado, secretário de Combate ao Racismo da CNTE, e Isabel Costa, diretora executiva da entidade, o debate teve como destaque a participação da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

A mesa foi marcada por falas que articularam ancestralidade, luta coletiva e os desafios contemporâneos do Brasil e do mundo.

 

 

Ancestralidade e trajetória de luta
Na abertura, Carlos Furtado apresentou a palestrante e saudou a ancestralidade do povo negro, ressaltando o simbolismo de uma mesa composta por duas mulheres negras e um homem negro. Para ele, aquela configuração expressava a força e a resistência histórica da população preta.

Macaé fez questão de se apresentar e situar sua trajetória. “Tudo o que eu construí na minha vida, meu jeito de ver o mundo e de pensar, veio do movimento social, do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras da educação e do movimento negro”, afirmou, destacando esses espaços como territórios de aprendizado, organização e celebração coletiva.

A ministra lembrou com orgulho a realização da Conferência Nacional da Pessoa Idosa no âmbito do ministério e apontou o desafio de construir novas formas de pensar o envelhecimento no país, com saúde, dignidade e alegria.

 

Educação como base da democracia
Em sua exposição, Macaé foi categórica ao afirmar que não há democracia sem uma educação pública diversa, inclusiva e comprometida com os direitos humanos. “A educação é uma peça fundamental da democracia brasileira. Não existe democracia sem educação pública”, disse, evocando Anísio Teixeira e a escola como engrenagem essencial da vida democrática.

Ao longo da fala, alertou para o risco de esvaziar conceitos como democracia, sustentabilidade e direitos humanos, transformando-os em meros discursos. Para ela, o desafio é fazer com que esses princípios se materializem na vida das pessoas, especialmente no cotidiano escolar. “A educação em direitos humanos precisa ser uma política pública estruturante, permanente e transversal, articulada à forma como pensamos a educação e aos sujeitos que a constroem”, afirmou.

 

Retrocessos e desumanização
Macaé contextualizou os retrocessos recentes no Brasil e no cenário internacional, citando o avanço de discursos autoritários, racistas e xenofóbicos. Criticou políticas anti-imigração, a criminalização da pobreza e da população em situação de rua, além da violência contra moradores das periferias. Para a ministra, esses processos retiram a humanidade de grupos inteiros e aprofundam desigualdades históricas.

Ao tratar da realidade brasileira, lembrou como trabalhadores da educação, povos indígenas e populações negras foram alvo de ataques em governos passados. Segundo ela, trata-se de um projeto que tenta desconstituir a ideia de bem comum, de escola pública e de Estado laico.

 

Organização, coragem e futuro
A ministra ressaltou a importância da organização coletiva e da atuação sindical diante do medo e das tentativas de intimidação vividas por educadores nas comunidades. “Medo a gente tem. Só que a gente não usa. Nós vamos enfrentar, porque sem escola pública e sem democracia, a gente não vive”, afirmou, sob aplausos.

Em um dos momentos mais marcantes, compartilhou uma reflexão que orienta sua atuação política: “Viver é diferente de estar vivo”. Para Macaé, viver exige coragem, posicionamento e compromisso com a transformação social.

Encerrando a mesa, Carlos Furtado dirigiu uma fala de fortalecimento e solidariedade, especialmente às mulheres, às mulheres trans e ao povo preto, reafirmando a necessidade de seguir lutando contra as opressões e em defesa da dignidade humana.

Fonte: CNTE