Por administrador em 29/abr/2014

Uma série de TV para a escola pública que dá certo



Que espaço na TV aberta teria uma série de documentários sobre escolas públicas brasileiras que, apesar de se localizarem em regiões com problemas sociais e econômicos, são capazes de oferecer educação de qualidade e ter resultados surpreendentes, até melhores que escolas privadas?

A julgar pela tendência da programação, pouco espaço. Mas com Educação.doc os diretores Luiz Bolognesi e Laís Bodanzky provam que o assunto não só merece o horário nobre como pode se tornar líder de audiência. A série ganhou exibições no Fantástico, em episódios de oito minutos, e horário fixo na Globo News, aos domingos, às 20h30.

“Filmamos de forma independente e apresentamos para a GloboNews e para o Fantástico. Em geral, a gente pensa que documentários são programação de nicho, ainda mais quando se trata de educação. No entanto, na TV aberta, desde a estreia, há três semanas, fomos exibidos em horário de pico, entre 21h e 22h. E no dia seguinte, segunda, no site do Fantástico, a matéria que teve mais recomendações e curtidas foi justamente a de Educação.doc.”, comentou Bolognesi em entrevista ao Estado. “É ótimo saber que tivemos 20, 25 pontos de audiência. Cerca de 20 milhões de pessoas assistiram e recomendaram. Números que não imaginávamos”, completa o diretor, que em 2013 levou o prêmio de melhor longa de animação no conceituado Festival de Annecy por Uma História de Amor e Fúria.

O mesmo sucesso se repetiu na TV a cabo, em que episódios de 26 minutos tratam de diversos temas e trazem opiniões de alunos, educadores e especialistas sobre o futuro da educação na era tecnológica, o papel do professor, taxa de abandono escolar, entre outros. “São programas que aprofundam o conteúdo. Nas últimas três semanas, a série também foi a mais recomendada no site da GloboNews”, informa o diretor.

O quinto programa, que discute como será a escola daqui a 50 anos, vai ao ar no próximo domingo. Mas quem perdeu os primeiros quatro episódios pode assisti-los online. O mesmo vale para o Fantástico, que disponibiliza o conteúdo online. “É importante poder dar acesso online e gratuito ao público. A televisão também está mudando e acompanha a tendência de que o espectador faz a sua própria programação. Durante seis meses, os programas estarão no ar nos sites. Depois, nós vamos disponibilizar no site da Buriti Filmes (www.buritifilmes.com.br)”, explica Bolognesi, que com sua produtora já realizou longas como As Melhores Coisas do Mundo e Chega de Saudade.

Em paralelo, em parceria com a editora moderna, os produtores preparam um DVD encartado em um livro, que será distribuído para 50 mil escolas e secretarias municipais, entre outros. “Que seja o começo de uma reflexão em todo o Brasil. O que faz uma boa escola? Recursos econômicos? Bons professores? Tecnologia?”, questiona o cineasta.

A jornada de Educação.doc começou quando Bolognesi e Laís começaram a perceber que muitas escolas públicas estavam não só aprovando seus alunos em vestibulares, obtinham resultado do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, criado em 2007, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) acima da média de instituições particulares e que muitas se localizavam em regiões com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). “Eu, que já fui professor e sou apaixonado pelo assunto, e a Laís nos perguntamos como era possível. Fomos investigar”, conta ele, que visitou oito escolas de várias regiões. “Não há uma fórmula só, mas todas passam pela valorização do professor e da educação como política pública de primeira ordem.”

A experiência foi tão marcante que a dupla planeja escrever um roteiro de ficção com base nas informações que coletou ao no processo. “Foi um laboratório incrível. Já havíamos abordado o universo escolar em As Melhores Coisas. Agora queremos contar uma história do jovem da escola pública”, completa Bolognesi.

(Do Todos pela Educação)

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