Por administrador em 07/jun/2010

Uma reflexão sobre o nosso sindicato



“Não é bastante não ser cego para ver a beleza das árvores e das flores”** Por Cristino Cesário Rocha – O pensamento de Caeiro nos introduz em um contexto muito específico: o da significação histórica do Sindicato dos Professores (as) do Distrito Federal como mediador/interventor no processo de melhoria da qualidade em suas diversas dimensões: pedagógica, de gestão escolar, salarial e humana, dentre outras. Não se tem dúvidas de que para enxergar o significado do SINPRO-DF e de tantos outros sindicatos combativos no Brasil precisa enxergar para além dos olhos físicos, mesmo porque estes podem ver apenas aparências.

Pensar o SINPRO-DF, em sua singularidade, remete à dimensão tempo-espacial que não tem mentido: este sindicato, sob a direção da atual composição vem se revitalizando com o encontro fecundo das experiências acumuladas e das novas energias que se somam com um objetivo tácito: renovar o vigor para avançar na luta e garantir resultados que imprimem uma qualidade sociocultural da categoria.

Ver, portanto, exige abertura, consciência, politização. Veja que politização não significa pensamento único, falso consenso, nem sentir-se como o único depositário (a) da consciência emancipatória. Politização tem a ver com diálogo dos contrários, mas pautado no respeito, na honestidade, sinceridade e senso de justiça. Já alguns, ao travarem um ataque à direção atual, revelam não apenas um esforço em diluir a autoimagem construída da atual Diretoria, que foi forjada em processos históricos perplexos e complexos, como também demonstra uma reprodução de instituições e grupos sociais que almejam o poder a todo custo, livre, muitas vezes, da mediação ética. É de inteira responsabilidade saber que a respeitabilidade da atual direção não se deu de forma mágica, nem se trata de uma dádiva, mas se fez no processo de luta por reconhecimento de sua força política.

Pois bem, se enxergar, na perspectiva de Caeiro, tem um sentido político, sobrepujando o ato físico, é verdade também que o revolucionário fora de contexto pode se tornar um reacionário (a). Digo isso com triste convicção, porque de quem se esperaria um senso ético como justiça e libertação, vê-se a apropriação de uma candidatura para enfraquecer o Sindicato que é um instrumento crível, significativo e sempre atual.

Diante desse contexto, precisamos nos perguntar: a luta para assumir o poder está acima do princípio da defesa da vida? Quem são nossos inimigos e opressores que precisamos identificar e combater? Ao atacar nossos representantes sindicais não estamos fortalecendo os representantes da ideologia e da prática neoliberal que têm historicamente atacado Sindicatos, Estado Interventor, Sociedade e outros grupos sociais? De qual lado estamos jogando, do opressor ou do oprimido?

A experiência histórica das civilizações tem demonstrado que a contribuição dos idosos e idôneos tem o seu valor, o zelo e preparação das crianças, adolescentes e jovens são imprescindíveis e que não há totalitarismo de uma etapa sobre a outra. Essa concepção não vem do plano europeu, por vezes eurocêntrico e capitalista, porque o esquema europeu é rígido, dicotômico e autoritário. A identidade familiar, pensada sob a lógica do respeito às diferentes etapas da vida tem um lugar na vivência afro-ameríndia, enfim, nas Matrizes Tupi e Afro.

Vejo que a Direção atual do SINPRO-DF busca conciliar novas energias com experiências acumuladas e que também se renovam, porque o mundo nunca é estanque, mas dinâmico em todas as esferas da vida.
Nesta perspectiva, é preciso entender que quem ganha com um sindicato forte, combativo e sério é a categoria dos professores (as) e, sobretudo a sociedade em geral, porque as mudanças que operam, via intervenção de qualquer sindicato impacta na qualidade de vida de todos. Por essa razão, quem ainda não viu os grandes avanços promovidos pela atual direção do SINPRO-DF necessita limpar e aumentar as lentes de alcance…

** trecho de poema de Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa.
Cristino Cesário Rocha é Professor de Filosofia e Sociologia CEM 414 de Samambaia – DF

Imprimir