Por administrador em 16/maio/2011

TV Comunitária comemora 13 anos



Nesta terça-feira, dia 17, a Câmara Legislativa do Distrito Federal fará uma sessão solene em homenagem ao aniversário de 13 anos da TV Cidade Livre – Canal Comunitário do DF. A sessão terá início às 19 horas no auditório, onde estão previstos a posse da nova diretoria da TV, show de artistas, como Manaséas, Myrlla Muniz e Márcio Bonfim, e um coquetel. Quem quiser participar do evento deve confirmar sua presença pelo telefone (61) 3343-2713 ou pelo endereço eletrônico: tvcidadelivredf@gmail.com

Conheça a história da TV Comunitária do DF na matéria abaixo:

Um canal para a liberdade de expressão e a promoção da cidadania

A emissora é a concretização do sonho de várias entidades e militantes da área de comunicação social de Brasília. Pioneira no País, a TV Cidade Livre fez sua primeira transmissão em 13 de agosto de 1997 e, desde então, oferece uma programação alternativa, com a qual contribui com o direito de liberdade de expressão e a promoção da cidadania. Apesar de a primeira reunião da TV ter ocorrido no Sindicato dos Jornalistas, em fevereiro de 1996, com mais de 30 instituições presentes, todas ainda filiadas à Associação das Entidades Usuárias de Canal Comunitário no DF, o SJPDF não participou como sócio-fundador.

Autônoma e com CNPJ próprio, ela é administrada em conformidade com seu estatuto, aprovado democraticamente pelas entidades filiadas em Assembleia Geral, regularmente convocada. Embora jovem, a TV Comunitária tem uma história de lutas no DF e, sistematicamente, ela abre espaços para a participação de pensadores, de lideranças dos movimentos sociais, de entidades e de sindicatos, assim como de embaixadores, quase sempre proibidos de ter voz na mídia comercial. A diversidade de pensamentos e opiniões em sua programação revela ainda uma característica multifacetada, peculiar da própria capital do País: é bairrista e metropolitana ao mesmo tempo. Agrega culturas e tradições locais, nacionais e internacionais.

O seu acervo demonstra essa integração de culturas e amplitude de idéias. Ele sustenta e garante a credibilidade na linha editorial que preconiza a pluralidade e a diversidade de ideias e de opiniões. A TV começou com duas horas de programação por dia, porém, há muitos anos ela está a 24 horas no ar, com várias parcerias e produção própria, registrando o movimento cultural, estudantil, sindical e as lutas populares, como as marchas do MST, os protestos do movimento pelo passe livre e tantos outros que agitam a capital federal.

A TVComDF não se restringiu a cobrir passivamente os acontecimentos na capital federal. Ela assumiu um papel militante no fazer-comunicação e organizou vários atos políticos, tais como debates entre candidatos ao GDF e à Reitoria da UnB. Na área de fotografia, criou as Cozinhas Fotográficas e, em outros setores da vida brasiliense, realizou o ato de criação da COJIRA, bem como vários espetáculos de música, lançamentos de livros da UNESCO, apuração do Plebiscito da Dívida Externa patrocinado pela CNBB, debate com a filha de Che Guevara – Aleida Guevara, patrocinou debates, participou e cobriu o Fórum Social Mundial.

Na luta pela promoção da cidadania, o canal sediou a central do plebiscito que repudiou a Alca e a base militar dos EUA, em Alcântara; comandou seminários de democratização da comunicação e debates sobre a Conferência Nacional de Comunicação. O canal comunitário mostra o que acontece nas Américas transmitindo o Telejornal da TeleSUR, diariamente, às 22h. Além da Telesur, ela tem outros parceiros.

Na contracorrente dos meios de comunicação comerciais, a TV participou e abriu as lentes de suas câmeras para os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária, pela nacionalização do nióbio e da agroenergia, pela abertura respeitosa aos artistas da cidade, para a parceira com os jovens de diversas cidades do DF, trazendo uma outra realidade e novo tipo de informação para a comunidade brasiliense. Trouxe para suas telas o conceito de integração latinoamericana, o processo de transformações sociais em curso em vários países da região e se abriu ao diálogo televisivo que pratica com a cultura iberoamericana.

É a única televisão que assumiu, editorialmente, a causa do Petróleo Pré-Sal é Nosso, da recuperação da soberania da Petrobrás e da Vale do Rio Doce. Defende o cinema nacional e a independência tecnológica. Consciente de que contraria os interesses de setores poderosos, sobretudo por criticar os valores do neoliberalismo, da oligarquia, do racismo,  do imperialismo e sua truculência criminosa contra os povos do Iraque, da Líbia, da Palestina, é a única televisão que transmitiu, na íntegra, o Congresso Nacional do MST, o maior congresso camponês da América Latina.

Também transmitiu, na íntegra, várias edições do Fórum Social Mundial, até mesmo o realizado na África. Ao contrário dos demais canais de TV, ela enfrenta sérias dificuldades financeiras, mas não se esquiva de criticar a muitas das políticas econômicas e financeiras prejudiciais à necessária industrialização e à classe trabalhadora brasileiras. O conteúdo político e em defesa da integração latinoamericana não a impede de priorizar a vida e o cotidiano da capital federal em todos os seus aspectos. Por isso, está garantido, na sua grade de programação, o espaço das manifestações culturais do Distrito Federal, tais como o Pacotão e sua irreverência, aos movimentos grevistas, aos protestos do movimento Passe Livre, dentre outros.

A TVComDF nunca se furtou a denunciar da repressão dos governos Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, como, por exemplo, a greve da Novacap, em 1999, em que, durante manifestação na sede da empresa, houve confronto entre manifestantes e polícia e a morte de um dos grevistas. Conhecido como “massacre da Novacap”, a truculência da polícia jamais foi denunciada em meios de comunicação comerciais. Quantas emissoras possuem uma grade de programação tão ampla e isenta?

Criticada por vários segmentos, a TV enfrenta todo tipo de problema: desde a falta de recursos financeiros até ameaça de intervenção. Por causa de sua programação aberta e livre de compromissos comerciais e políticas, foi alvo de investidas de fiscais e processo da Anatel, que queriam, ilegalmente, controlar o seu conteúdo. Sem encontrar qualquer irregularidade na emissora, o processo foi arquivado. Alguns dos seus críticos insistem em pedir a intervenção da polícia na TV.

Atualmente, a TV Cidade Livre transmite ao vivo, todos os dias, entre 19h e 19h30, o telejornal da recém-criada TVT – TV dos Trabalhadores – e oferece à sociedade, gratuitamente, o acesso público ao vivo toda sexta-feira. Em seu acervo, a TVComDF tem mais de quatro mil fitas com manifestações sociais, sindicais e estudantis em Brasília, entre as quais mais de 200 horas com os músicos da cidade. Tudo isso comprova que a TV Cidade Livre cumpre o papel próprio de um canal comunitário: público, plural, contra-hegemônico, aberto à comunidade, sintonizado no dia a dia da classe trabalhadora e nas reivindicações dos movimentos sociais.

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