Por administrador em 14/ago/2012

TV Cidade Livre completa 15 anos



A TV comunitária Cidade Livre de Brasília completou na última segunda, 13 de agosto, 15 anos de existência, com sessão solene e festa  na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Nesta década e meia, a emissora se firmou como espaço de resistência cultural e de mídia, abriu espaço para produção independente e regional de todo o país, criou projetos educacionais ligados à comunicação, mas também sofreu com as dificuldades financeiras e de estrutura, a falta de comprometimento de organizações parceiras e as ameaças de fechamento. A sessão foi proposta pelo deputado distrital Joe Valle, que garantiu que

Foi com um tom visivelmente emocionado que o presidente da TV, Beto Almeida, relembrou as dificuldades enfrentadas pelo grupo que acreditou na possibilidade de criar uma emissora que unisse movimentos sociais, sindicais, comunitários  e acadêmicos de maneira democrática e cidadã.  A diretora do Sinpro, Rosilene Correa, participou da mesa da sessão solene e salientou a importância da TV como parceira do movimento sindical e popular. “Os trabalhadores precisam se apropriar desse debate e entender que o acesso à comunicação é estratégico para a construção de um país mais livre e democrático”, afirmou ela.

A emissora é transmitida pela operadora de TV a cabo NET (canal 8) e dá enfase à cobertura do movimento cultural, estudantil, sindical e às lutas populares, como as marchas do MST, e é retransmissora do canal latino-americano Telesur e do Jornal do Trabalhador, da TVT.

O canal costuma abrir espaço para discussão das questões relativas à democratização da comunicação no país, como a Conferência Nacional de Comunicação. No seu acervo há documentários de todo o Brasil e material audiovisual da Fundação Itaú Cultural e dos movimentos sociais, universitário e sindical.

De acordo com o diretor administrativo da TV Cidade Livre, Paulo Miranda, as emissoras comunitárias devem cumprir uma função social de valorização da cultura local, contribuindo para a democratização das comunicações e é nisso que se foca o trabalho. “As mídias comunitárias devem realizar um trabalho libertador, atuando no desenvolvimento regional da cultura, do jornalismo e da educação, contribuindo com a formação da população”, diz. Para Miranda, mais do que comemorar os quinze anos de existência, a cerimônia deve ser um ato político, na luta por um plano nacional de radiodifusão comunitária.

No último dia 7 de agosto, a TV Cidade Livre e o Coletivo de Comunicação da CUT no Distrito Federal lançaram uma carta de reivindicações na qual cobram a criação da política nacional e de um  fundo de apoio e desenvolvimento das rádios e TVs comunitárias. “Não existe nenhuma ação governamental em prol das redes comunitárias, nenhuma publicidade, nenhum apoio”, denuncia o diretor da Cidade Livre.

Ele afirma que hoje o governo federal distribui mais de R$ 5 bilhões em verbas publicitárias e nada é destinado às TVs comunitárias. Localmente a situação não é melhor. O governo do Distrito Federal (GDF) destina R$ 460 milhões ao ano para publicidade. Desse valor apenas R$ 15 mil teria sido destinado no último ano para a Cidade Livre.

No ano passado a TV desenvolveu um projeto de educação e comunicação para jovens, apoiado pelo programa de Pontos de Cultura do Ministério da Cultura, que formou, em dezembro último, 100 alunos. Miranda afirma que, embora tenham feito a prestação de contas e esta tenha sido aprovada, com a mudança no comando do ministério no início do governo Dilma não receberam mais nenhuma parcela para seguir com o projeto. A TV já teria feito diversas solicitações de liberação da verba, sem sucesso.

Apesar das dificuldades, Miranda entende que a luta pela democratização nas comunicações deu passos importantes e a Cidade Livre é parte dessa luta e vai prosseguir. “Parodiando o MST, vamos seguir ocupando, resistindo e produzindo, defendendo nosso espaço e trabalhando por uma comunicação de qualidade”, diz. Além disso, as rádios e TVs comunitárias já existentes no Brasil, se tivessem apoio e condições financeiras, poderiam criar emprego e renda para comunicadores profissionais e populares. “E continuaremos na luta para colocar nossa música, nossos filmes, a nossa cara brasileira na nossa televisão e no mundo”, conclui.

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