Por administrador em 27/mar/2009

Seminário debate educação de pessoas em risco



O que pode a educação no meio das pessoas que estão em penitenciárias ou vivem em situação de vulnerabilidade social ou sob o efeito medidas socioeducativas. O que fazer para que o ensino seja realmente um elemento revolucionário e eficiente na vida desses cidadãos. Essas são questões que começaram a ser debatidas no II Seminário Educando para a Liberdade, iniciado nta quinta-feira(26), na sede do Sindicato dos Professores no DF, promotor do evento.

A abertura contou com a participação do diretor executivo da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso – Funap, Braz Justino da Costa, do professor do Proen, antiga Escola Parque, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, Júlio Barros, da diretora da Escola de Meninos e Meninas do Parque, Palmira Vamacor, da diretora do Sinpro-DF, Thaís Romanelli, do subsecretário do Sistema Penitenciário do DF, Anderson Espíndola, e do palestrante Ernesto Erivelton Rodrigues, assessor da Coordenação Geral de Ações Educativas Complementares do Ministério da Educação-MEC.

Por três dias o seminário pretende debater a educação realizada com pessoas marginalizadas socialmente em um país que não construiu políticas sociais consistentes voltadas para este segmento. “O nosso objetivo é a troca de experiências entre educadores que trabalham com essas pessoas e aprofundar o debate em torno da educação, traçando estratégias no sentido de melhorar o ensino”, explica Thais Romanelli, diretora de Políticas para as Mulheres do Sinpro e também professora do sistema prisional.

De acordo com dados do Ministério da Justiça, apenas 18% dos presidiários brasileiros têm acesso a algum tipo de educação. O subsecretário do Sistema Penitenciário, Anderson Espíndola, afirma que no Distrito Federal esse índice é menos alarmante. “Aqui, entre 38% e 39% dos detentos têm acesso à educação e ao trabalho. A gente tenta ressocializar juntando as duas coisas”, argumenta. Existem oito mil internos no Distrito Federal e 60 professores para atender a demanda.

Thais Romanelli prefere não discutir o índice de presidiários com acesso à educação. O que ela vê na prática é que há algumas lacunas no sistema prisional que precisam ser cobertas. “Faltam salas de aula e, quando elas são criadas, muitas vezes acabam sendo utilizadas para outras funções que não o ensino. Ou seja, a educação não é priorizada”, coloca a professora. “Não sei como é que os arquitetos e engenheiros não pensam em salas de aula quando fazem seus projetos de penitenciárias. Isso tem que mudar porque a educação é fundamental nessa área”, reforça Braz Justino da Costa, diretor da Funap.

“Toda essa questão passa pelo social. Se um preso é reincidente, mesmo tendo tido uma boa educação dentro do presídio, é porque esbarra numa sociedade que lhe fecha a porta quando ele tenta se inserir nela”, opina o palestrante Ernesto Rodrigues, assessor do MEC. Ele acredita que um trabalho preventivo, com melhores escolas e uma boa qualidade de ensino vai impedir que o sistema prisional tenha um incremento de sua “clientela”.

O II Seminário Educando para a Liberdade segue até o sábado, dia 28 de março, na sede do Sinpro-DF,

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