Por administrador em 07/fev/2014

Sem vagas, pais ainda batalham para colocar filhos em creches públicas no DF



Dos cerca de 471 mil alunos que começaram o ano letivo nas 654 escolas da rede pública do DF, 6.032 alunos de até 5 anos de idade não conseguiram vaga para cursar o maternal, jardins 1 e 2. Atualmente o DF possui 268 escolas, creches e jardins de infância públicos e outros 57 convênios que atendem cerca de 53 mil cranças desta faixa etária. Quem não conseguiu a vaga está automaticamente na lista de espera das coordenações regionais de educação.

A vendedora Maria Clara Sousa, 44 anos, mora em Águas Claras e tenta uma vaga para a filha de 3 anos em creches em Taguatinga. “Vou até a creche e até a regional de Taguatinga, enfrento filas enormes em vão”, queixa-se. Por falta de informação, ela perdeu o período inicial de matrículas pelo telefone, finalizado em 28/10/2013, e procura uma vaga desde 10/1. Ela foi orientada a voltar à creche primeiramente em 5/2. Somente, nesta semana, ela foi informada de que, agora, só poderá tentar uma vaga em 28/2 na regional de ensino. “Conversei com as funcionárias da creche e elas me garantiram que existe uma vaga na série da minha filha que é o jardim 2. Fui até a regional de Taguatinga e eles dizem que não tem vaga. Quando voltei à creche, me disseram que talvez fosse porque alguém da regional estivesse guardando a vaga”, critica.

Na tentativa de conquistar a vaga para a filha, Maria Clara perguntou aos funcionários da secretaria de Educação como poderia denunciar o problema à ouvidoria. “A resposta que obtive me espantou: disseram que se eu denunciasse, aí é que eu não conseguiria a vaga mesmo”. Um grande problema para os moradores de Águas Claras, com população de 135 mil pessoas, é a falta de colégios públicos. “Nem todo mundo que mora em Águas Claras pode pagar colégio particular. A gente fica refém das escolas públicas de Taguatinga, Guará, Riacho Fundo e Núcleo Bandeirante. A demanda é tão grande que, até mesmo as escolas particulares de Águas Claras estão sem vaga”, critica a vendedora Maria Clara. “Eles têm que oferecer educação de qualidade para a gente, mas só prometem e não cumprem. A educação no DF está horripilante”.

Fábio Pereira de Sousa é subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação Educacional da secretaria de Educação. Ele admite que o problema existe, mas garante que providências estão sendo tomadas. “Só hoje, fechamos sete novos convênios para abrir creches. A creche de Sobradinho foi entregue esta semana. Nossa previsão é inaugurar 112 creches ao longo de 2014; 50 até junho, e 62 no segundo semestre”, promete.

Dentre as creches a serem construídas, há previsão de que cinco sejam em Águas Claras. Enquanto isso, o subsecretário orienta que os moradores da região procurem as duas creches públicas que funcionam em Areal e em Arniqueiras, que também fazem parte de Águas Claras

Questionado sobre a oferta de vagas remanescentes em creches, o subsecretário garante que não há “reserva de vagas”, mas sim uma lista de espera.  As denúncias de problemas e irregularidades na Secretaria de Educação podem ser feitas à ouvidoria do Governo do Distrito Federal pelo número 156. Segundo Fábio Pereira, a identidade do denunciante é preservada. “A ouvidoria guarda o sigilo, é um direito respaldado. Não há risco de perder qualquer vaga por reclamar”, garante.

(Com informações do Correio Braziliense)

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