Por administrador em 25/ago/2014

Saiba como foi o primeiro dia (22/8) do Encontro Nacional da Juventude da CNTE em Brasília/DF



 

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Nos dias 22 a 24 de agosto, 50 jovens educadores brasileiros, e 2 representantes do México, estão no Encontro Nacional da Juventude da CNTE, com o tema Educar, Lutar e Transformar. A abertura contou com a presença do secretário nacional de formação da CUT, Tino Lourenço, da secretária geral da CNTE, Marta Vanelli, e do coordenador do coletivo de juventude da CNTE, Carlos Guimarães, que falou da meta de envolver mais jovens na militância sindical: “Queremos organizar os jovens trabalhadores da educação nos seus sindicatos, das mais diversas formas, seja como representante local de trabalho ou da própria direção, direção regional, com o objetivo de formá-lo e construir, conjuntamente com os demais parceiros que já estão dentro do sindicato, uma visão para o futuro. O próximo passo vai ser muito importante, porque a gente vai ter de contar muito com o apoio político dos sindicatos filiados à CNTE, que está tomando essa ação política para que as afiliadas assumam essa bandeira de ver a necessidade e a importância de organizar os jovens trabalhadores e envolvê-los no dia a dia do sindicato e nas pautas sociais”, disse o coordenador.

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Desafios: formação, reforma e organização

Na mesa ‘Juventude, educação e os desafios pra o próximo período’, Clayton Nobre, da rede Fora do Eixo, que reúne 300 coletivos de cultura e comunicação, abordou a importância dos espaços de formação livre: “A gente está querendo pensar em quais são as outras metodologias de formação que existem no Brasil e no mundo pra além de um modelo formal que às vezes é instituído, é estimulado pela própria instituição, escola ou universidade. Então o Fora do Eixo tem um pouco de uma experiência que a gente contou hoje nosso debate e a gente queria trocar com outros movimentos e grupos, porque a gente acredita que existem metodologias e experiências diversas no Brasil inteiro, que são pra fora dos muros da escola. E a gente quer saber como é que a juventude contemporânea se insere nessa realidade, porque a gente acredita, inclusive, que a juventude se estimula muito mais por metodologias inovadoras que, às vezes, o sistema ‘fabril’ da escola tradicional não consegue estimular, porque faz parte de um modelo antiquado, em crise”, afimou. E concluiu: “O que a gente faz é unir, convergir esses movimentos e esses grupos, organizados ou de jovens desorganizados, para gente pensar modelos de formação alternativos, para além do que já está instituído. A solução é criar redes, conectar inteligências, dividir experiências com pessoas que tem mais bagagens, para pensar nessas formas mais coletivas, mais colaborativas, e  construir juntos”.

Paola Estrada, da Consulta Popular, falou da força das mudanças e dos desafios surgidos a partir das manifestações públicas ocorridas no ano passado e destacou a necessidade de uma reforma política: “Neste momento, a tarefa central, para conseguir uma reforma politica ampla e profunda, é lutar por uma constituinte do sistema político. Nós estamos organizando, com mais de 360 entidades, um plebiscito popular pela constituinte, que vai ser realizado de 1 a 7/9, como forma de construir uma pressão política em cima do Congresso para que seja realizado um processo de consulta popular e debate amplo na sociedade sobre a reforma política que nós queremos.” Ela destacou que a mudança na política está relacionada com uma profunda reforma da educação brasileira: “Essas lutas tem que caminhar juntas. É preciso avançar também nesse sistema político, para ter mais educadores representantes no Congresso,  mis mecanismo de democracia direta no país, para garantir que o voto do eleitor e o processo de participação da sociedade na democracia seja maior que o poder econômico. Enfrentar isso para ter mais avanços na educação tem tudo a ver com lutar por uma constituinte do sistema político”.

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Ronaldo Schaeffer, do Levante Popular da Juventude, propôs o desafio de começar um processo organizativo do movimento popular jovem, envolvendo a comunidade e os educadores: “Os professores da rede pública têm uma condição extremamente favorável, eles necessariamente, independentemente de onde venham, têm de estar enraizados dentro da comunidade. O professor da escola pública tem que estabelecer relações com a escola, com os estudantes e com os pais, por uma necessidade de ofício, porque se não tiver uma rede de relações favoráveis, o trabalho se inviabiliza em médio e longo prazo. E ao invés de fazer disso um esforço de tentar sobreviver no espaço, dá pra potencializar isso para tentar criar outras experiências organizativas, que vão para além do sindicato. Os professores, com conhecimento e metodologia, podem ajudar na organização de bairro, que hoje é insuficiente, de maneiras simples, criando espaços de convivência, feiras. A ideia é simples. É algo que a esquerda faz desde que nasceu: é tentar criar grupos e relações e potencializar isso para se tornar base social organizada, para que os grupos se enxerguem e se entendam numa identidade comum, contra o inimigo comum, a direita, a elite do país encastelada há muitos anos no poder do Estado”.

Programação termina no domingo

Até o dia 24/8, os educadores ainda vão debater a democratização dos meios de comunicação e o uso político das tecnologias de informação, em uma mesa formada pela blogueira Maria Frô, por Pedro Rafael Vilela, representante do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FDNC), e por Raissa Sena, da rede Fora do Eixo; e vão discutir experiências de organização dos jovens no movimento sindical, em debate com participação de Éryka Galindo, secretária de juventude da Contag, e Aroaldo da Silva, vice-presidente do Sindicato de Metalúrgicos do ABC. Também participarão de uma oficina sobre a reforma política e o processo eleitoral e colocarão em pauta uma pesquisa sobre o perfil da juventude, a ser realizada pelos sindicatos.

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Marta Vanelli, secretária geral da CNTE, lembrou que a proposta é tratar da criação de novos Coletivos da Juventude, espaço que permite o debate sobre políticas específicas para essa parcela da categoria, e o objetivo é motivar os jovens educadores a se tornarem multiplicadores:”Queremos sensibilizar os profissionais para organizar esse segmento dentro do seu sindicato. Queremos atrair esses jovens para a militância, para a direção do sindicato, não apenas para a profissão”, ressalta a secretária.

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