Por administrador em 09/jun/2014

Projetos que punem gestor por educação empacam



A aprovação do Plano Nacional de Educação na última terça-feira (3) reacendeu o debate sobre a punição de gestores que não atingirem as metas definidas.

O plano aumentou o investimento público em educação para 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e estabeleceu objetivos para o setor, mas não previu sanção a quem não cumpri-los. O debate sobre o tema se arrasta há seis anos.

Ao menos nove projetos sugerem punição a quem não garantir uma educação de qualidade aos alunos da rede pública -do bloqueio de recursos da União ao enquadramento do gestor na lei de improbidade administrativa.

“Às vezes sobra para o gestor o que não é diretamente responsabilidade dele”, argumenta Rosa Neide Sandes, secretária em Mato Grosso e representante do Consed (conselho que reúne secretários estaduais de Educação).

Ela afirma que já há mecanismos para punir gestores que não destinam o mínimo exigido para o setor.

Segundo a Constituição, a União deve aplicar ao ano ao menos 18% de sua receita com impostos em educação -para Estados e municípios, são 25%. Quem não atinge o patamar fica impedido de firmar convênios com órgão federais.

O próprio governo federal, porém, reconheceu que sanções administrativas não bastam e, em 2010, encaminhou projeto de lei criando nova categoria na lei de ação civil pública para responsabilizar prefeitos, governadores e a União.

“Faltam mecanismos efetivos e eficientes para garantia de que tais compromissos serão levados a cabo”, diz texto junto à proposta.

O debate se estende a parâmetros para punir gestores.

“Estamos preocupados se [as metas] vão ser cumpridas, mas tem que ter cuidado com o que vai ser definido como critério”, pondera Paula Louzano, pesquisadora da USP.

Ela se mostra reticente com o uso de resultados de avaliações nacionais, como a que compõe o Ideb -indicador de qualidade da educação.

“Qualquer resultado [de prova] que você utilize vai ter uma forte relação com a questão socioeconômica”, afirma.

Para ela, uma opção mais adequada seria a definição de padrões mínimos de qualidade, como número de alunos por turma e infraestrutura das escolas.

(Da Folha de S. Paulo)

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