Por administrador em 02/dez/2010

Professores de SP sofrem com salas lotadas e carga excessiva



Quase metade dos professores de escolas públicas de São Paulo tem diagnóstico de estresse, diz pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Encomendado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o levantamento será divulgado nesta quarta-feira (1º), durante o 23º Congresso Estadual da entidade em Serra Negra (SP).
Para a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, o estudo mostra alguns dos efeitos das condições de trabalho a que são submetidos os docentes. “A maior incidência é daqueles que têm jornada de mais de 30 horas semanais e outros fatores, como superlotação de sala de aula”, afirmou. Para Bebel, “além da saúde do professor, a prática afeta também a qualidade do ensino”.
Os resultados preliminares indicam que 48, 5% dos professores entrevistados têm diagnóstico confirmado de estresse. Do total, 63, 6% dos entrevistados afirmam lecionar mais da carga horária designada e 54% disseram ter mais de 35 alunos por sala de aula. A respeito do adoecimento dos professores, a presidente do sindicato defende a necessidade de que se garantir licença médica para a categoria. “O profissional doente terá de se tratar. Ao fazer isso, ele tem que se afastar da escola e isso cria uma cadeia de problemas”, aponta.
A pesquisa indica ainda que 35, 4% disseram ter deixado de comparecer a consultas médicas para não ter faltas no trabalho. A Lei Complementar nº 1.041 de 2008 restringe apenas seis faltas médicas (desde que apresentado comprovante e atestado) por ano. Segundo Maria Izabel, não existe protocolo no Ministério do Trabalho nem no da Saúde para designar estresse como acidente de trabalho ou previsão de mudanças na lei. “Nossa luta é protocolar como doença profissional para que possa ser feito o trabalho de prevenção a respeito”, finaliza. Ela relata que inflamações nos braços (tendinites) e doenças mentais como a depressão, são as mais comuns entre os docentes.
A íntegra do estudo deve ser divulgada nos próximos dias. A pesquisa contou com 1.615 entrevistados em setembro.
Com informações do site da CUT

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