Por administrador em 21/maio/2010

Professora readaptada vai ao CRM contra desrespeito



A professora Luzia Moreira encaminhou carta ao Conselho Regional de Medicina (CRM) denunciando o atendimento de uma médica da Gerência de Perícia Médica Odontológica da Secretaria de Educação. Reiteramos que o Sinpro tem denunciado há tempos o atendimento que as professoras e professores têm recebido neste órgão. Solicitamos que todos os que se sintam desrespeitados que procurem fazer valer seus direitos. O jurídico da Secretaria de Saúde do Sinpro está à disposição de todos e todas.
Transcrevemos abaixo a carta da professora, para que todos tenham uma ideia do desrespeito que ela sofreu.

Brasília-DF, maio de 2010.

Ao
Conselho Regional de Medicina

Eu, Luzia Moreira dos Santos de Oliveira, professora da Secretaria de Educação, venho através desta comunicar minha indignação com o serviço médico da Secretaria de Educação e a médica que fez a mim atendimento neste estabelecimento.
Sou professora readaptada com uma série de limitações e todas as vezes em que preciso trocar atestado sou humilhada e exposta a total constrangimento.
No mês de março, fui trocar um atestado de 30 dias fornecido pelo neurologista que faço acompanhamento há 3 anos e que fez a minha cirurgia. Chegando na sala da médica ela pediu-me para que eu abaixasse; mesmo sabendo que tenho limitações.
Sugeriu que eu reduzisse a carga horária. Respondi que já tenho uma vida programada, pois pago apartamento, tenho um custo alto de remédios. A mesma registrou em meu prontuário que eu não queria redução por “status”. O que é um equívoco. Quando fui admitida na Fundação Educacional era saudável e trabalhava 40 horas. Agora quando estou mais necessitada de cuidados, querem redução de carga horária, mas com redução de salário? Além disso, o que me causou a enfermidade foi um acidente de trabalho.
Ela contestou meu atestado reduzindo-o em 10 dias. Ainda escreveu no meu prontuário que eu disse que era quebra-galho. Eu jamais diria isso, pois eu sou professora e atualmente atuo em biblioteca.
Ela contestou meu atestado alegando que, como já sou readaptada não preciso de atestado, já que tenho uma enfermidade crônica!!! Isso que dizer que não mereço tratamento de saúde. Será que ela me daria a eutanásia, mesmo não tendo a especialidade em neurologia?
Demorei para entrar com recurso por que não temos acesso ao prontuário que é nosso direito por ser um documento particular que contém nosso histórico médico.
No serviço médico temos que agendar e só depois de quase 2 meses obtive o direito de tirar a cópia do meu prontuário para saber o porque da contestação. Se não fosse essa cópia jamais saberia que tal médica me descreve como “quebra-galho”.
Quero imensamente ser reparada por perdas e danos por essa pessoa que não teve ética, humanidade, decência, ao me ridicularizar, constranger e humilhar diante da minha dor, já que sou um ser humano e necessito ser respeitada principalmente no momento de fragilidade. Como ela pode ser uma médica que trabalha com gente? Gente precisa ser tratada como gente e faço parte disso.
Já estou traumatizada. Quando chego a ir ao médico e necessito repouso, tenho acesso de tremor e taquicardia, pois já sei o que vou passar.

Segue cópia do atestado e contestação.

Fico grata em ser atendida.

Obs.: c/c à SEE

Luzia Moreira dos Santos de Oliveira

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