Por administrador em 07/abr/2014

Pisa mostra que a educação vai mal no Brasil, mas não explica por quê



O Brasil voltou a sair-se mal no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, em inglês), um levantamento comparativo promovido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o objetivo de medir e comparar o quanto e como os países participantes preparam seus jovens para uma vida adulta produtiva”, estampa o jornal Estado de São Paulo (Estadão) em seu editorial.

É fácil afirmar que a educação vai mal no Brasil quando se usa parâmetros como os do Pisa. Inicialmente, deve-se analisar os recursos disponibilizados para a educação pelos países que se destacaram na avaliação e pelo Brasil. Ainda atendo-se ao aspecto da questão econômica, se faz necessário uma comparação entre as remunerações pagas aos professores europeus e até asiáticos com os salários do magistério nacional.

Tais discrepâncias econômicas, que podem variar de 100 a 200%, explicam, em parte, a falta de maior qualidade e quantitativos positivos na educação brasileira. Deve-se, ainda, adicionar os aspectos de infraestruturas ofertados nos países com resultados positivos e no Brasil. Estudantes em salas de aula com mais de 30 ou 35 alunos não podem ter o mesmo rendimento no aprendizado que aqueles que frequentam salas com, no máximo, 15 colegas.

Também é preciso se fazer uma reflexão sobre a chamada “preparação dos jovens para uma vida adulta e produtiva”. Parece que está se falando de um produto que será lançado no mercado de trabalho para fomentar o capitalismo. O Sinpro defende uma educação básica de qualidade que leve a criança e o jovem a se tornar uma pessoa consciente de seus direitos e deveres. Ou seja, um cidadão em sua plenitude.

Para se chegar a tal estágio, o Sindicato dos Professores considera que a primeira coisa a ser feita é acabar com a demagogia sobre a educação. Ela não pode mais ser encarada para fins políticos ou para explicar a lógica do capital. Sua prioridade tem que ser real. Como exemplo: o PNE – Plano Nacional de Educação – que tramita no Congresso há anos. As metas do Plano que deveriam servir para o decênio 2010/2020, evidentemente, já estão comprometidas pelo longo atraso.

O adiamento da Conae – Conferência Nacional de Educação – pode ser outro exemplo da falta de prioridade para o setor educacional. Seu adiamento para depois das eleições – de fevereiro para novembro – deixa claro que não há pressa em se debater e se obter soluções para os problemas enfrentados pela educação no Brasil.

O Sinpro luta para que sejam atendidas as metas básicas, que são: propiciar as condições de acesso; de alfabetização e de sucesso escolar; a ampliação de recursos investidos na educação pública e a melhora da gestão destes recursos; e, também, a devida e necessária valorização do magistério. Feito isto, com toda certeza, o comparativo feito pelo Pisa irá apresentar resultados para a educação no Brasil bem semelhantes aos dos países que deram prioridade para a educação de seus povos.

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