Por administrador em 20/ago/2011

Palmares 23 anos: celebração à cultura afro-brasileira



A Fundação Cultural Palmares, completa este ano 23 de fundação. Uma série de shows  marcaram a data na última semana com shows no Teatro Nacional de Brasília. O rapper GOG abriu a festa com sucessos consagrados como “Brasil com P” e músicas inéditas do novo CD Negras Raízes, que será lançado em novembro, mês da Consciência Negra. Durante todo o show, Gog homenageou Abdias Nascimento e outros nomes que marcaram a história do movimento negro, incluindo a Fundação. “Me emocionei quando abri o folder da Palmares e vi Abdias, Leci e Gog na mesma página”, disse o rapper ao traçar uma linha do tempo do movimento negro no Brasil.  Dois telões apresentavam intervenções audiovisuais, que ajudavam a compor o ambiente de protesto social das letras do “poeta do Rap nacional”. Gog emocionou a plateia ao convidar a cantora Marielhe Borges para cantar “Carta a Mãe África”, música onde parafraseia Elza Soares: “A carne mais barata do mercado é a negra”. Além da cantora Marielhe o rapper convidou Igor Melo e Máximo Mansur para cantar a inédita “África Tática”, escrita em parceria com o poeta Nelson Maca. A música fala sobre a influência da cultura africana no Brasil e da tática de sobrevivência dos negros que para cá vieram.

Samba de primeira – A cantora Leci Brandão levantou a plateia desde seus primeiros acordes. Vestida de rosa, homenageando a Mangueira, sua escola de samba de coração, a cantora abriu o show com a música “Hino de Exaltação a Mangueira”, porém não deixou de homenagear as outras escolas, cantando sambas-enredo da Portela e do Império Serrano. Convocou o público a ir para frente do palco e sambar com suas “canções afirmativas”. Apresentou apenas sambas de compositores negros e exaltou várias classes trabalhistas, entre eles os agentes culturais e professores. “Se há alguns anos os governantes tivessem se preocupado mais com a educação o cenário hoje seria outro”, enfatizou. Lembrou a importância de mulheres negras no samba e sua exclusão na mídia por seus estereótipos ao cantar sambas consagrados de Dona Ivone Lara e Jovelina Pérola Negra. Leci reiterou a importância do empoderamento da mulher negra e convidou as presentes a se engajarem nessa luta. Com 36 anos de carreira e uma vida de militância, a cantora lembrou com carinho da criação da FCP. “Estive presente na criação da Palmares e nunca imaginei que hoje estaria aqui, celebrando seus 23 anos”.

Imprimir