Por Tomaz Campos em 01/fev/2017

Novo atraso no pagamento de reajuste pode causar onda de greves no DF



Repercutiu mal entre o funcionalismo público do DF uma declaração feita pelo secretário de Fazenda do DF, João Antônio Fleury, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (31/1). Na ocasião, Fleury afirmou que a terceira parcela do reajuste dos servidores, que deveria ter sido paga em setembro de 2015, só será quitada quando o GDF tiver “dinheiro sobrando” em caixa.

A afirmação jogou um balde de água fria nas categorias que esperavam o pagamento do débito a partir de março deste ano, última data anunciada pelo Executivo local para o depósito dos valores. Diante da situação, servidores se articulam para pressionar o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), o que pode gerar uma nova onda de greves no funcionalismo público do DF.

Entre os grupos que já se preparam para um enfrentamento com o governo, está o Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Direta, Autarquias, Fundações, e Tribunal de Contas do DF (Sindireta-DF). Responsável pela representação de 17 categorias, a entidade reúne cerca de 45 mil servidores.

Segundo o presidente do Sindireta-DF, Ibrahim Yusef, a articulação do GDF continua a ser “péssima”. “O governo, mais uma vez, não busca nenhuma solução para resolver o problema. Diante desses fatos, vamos ter de marcar uma assembleia para definir ações e forçar a mão do Rollemberg”, afirma. De acordo com o sindicalista, o encontro entre os servidores deve ocorrer no início de março.

Yusef afirma que, ao longo de fevereiro, serão realizadas reuniões setorizadas para a aglomeração de demandas. Para ele, a possibilidade de uma greve generalizada é real. “Estamos nos encaminhando para ter um movimento de paralisação. Já que o governo não apresenta nenhuma proposta, não temos outra opção a não ser parar as atividades”, finaliza.

Educação e Saúde
Em situação parecida também estão os servidores da educação. O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) já tem assembleia marcada para o próximo dia 13 de fevereiro, às 9h30, em frente ao Palácio do Buriti, com indicativo de greve. De acordo com o diretor do Sinpro-DF Samuel Fernandes, a sensação na categoria é de “contagem regressiva”.

“Estamos há quase dois anos tendo perdas salariais sem nenhum reajuste ou ganho real. Também queremos isonomia com os outros cargos de ensino superior do GDF. Diante dessa situação, nossa reivindicação a partir de agora é de reajuste de 18%. O governo vai ter de achar uma fórmula para pagar o aumento porque o ano letivo está prestes a começar

Samuel Fernandes, diretor do Sinpro-DF

Uma das sindicalistas que mais tem criticado o governo de Rodrigo Rollemberg, Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sindsaúde-DF), classifica a declaração do secretário de Fazenda como “irresponsável”. “É a cara do governo Rollemberg e demonstra a falta de respeito do GDF com os servidores e, por consequência, com a população”, alega.

Marli Rodrigues também reforça o coro e indica uma possível paralisação dos servidores da Saúde. “Logo depois do carnaval, a categoria vai começar a se mobilizar para um enfrentamento e há, sim, possibilidade de greve. Mesmo com a covardia do corte de ponto, não podemos continuar sofrendo sem fazer nada”, diz a sindicalista.

Relatório de gestão
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (31), o secretário de Fazenda, João Antônio Fleury, afirmou que o GDF começa o ano com  R$ 71,8 milhões em caixa, sendo que tem mais de 2,6 bilhões de dívidas a pagar. Levantamento da pasta também mostra que o Executivo continua acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na média dos últimos 12 meses, o governo gastou 46,82% das receitas com o pagamento de servidores. O limite é de R$ 46,55%. Ainda de acordo com o secretário, o atraso nos reajustes não é questão de “maldade”, mas de prioridade. “Se eu der o aumento dos servidores, não vou pagar os salários em dia”, justifica.

Arrecadação acima da inflação
No entanto, balanço de arrecadação do GDF em 2016 mostra o contrário do discurso adotado pelo Executivo ao longo da gestão Rollemberg. Embora o governo alegue ter dificuldades orçamentárias, a verba angariada com impostos e taxas cresceu 11,60% em 2016 em comparação com 2015. O percentual é o dobro da inflação registrada no ano passado, de 5,62%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com a conclusão dos dados do Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo), a receita estimada em R$ 14,3 bilhões subiu para R$ 14,7 bilhões em 2016. Se comparada com 2015, quando a arrecadação foi de R$ 13,204 bilhões, a diferença é de R$ 1,532 bilhão.

(do Metrópoles)

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