Por administrador em 29/maio/2014

Mulheres abrem a 14ª Plenária Estatutária da CUT Brasília com convite à luta



plenaria cut internaAs mulheres cutistas deram o pontapé inicial na 14ª Plenária Estatutária da CUT Brasilília, que teve início nesta quinta-feira (29) e prossegue até sábado (31). Representatividade das mulheres, violência, reforma política e enfrentamento aos ataques da direita – com apoio da grande imprensa – foram os temas abordados pelas palestrantes convidadas.

A Plenária das Mulheres – que contou com grande público masculino – teve como oradora, em sua primeira Mesa (coordenada pela diretora do Sinpro, Vilmara Pereira), a militante da Marcha Mundial das Mulheres, Sónia Coelho. Ao analisar a atual condição das mulheres, Sónia deu ênfase ao mercado de trabalho. Segundo ela, no chamado pleno emprego que o País vive atualmente, 86% dos homens em idade ativa estão inseridos, mas apenas 63% das mulheres nele se enquadram.

A militante também abordou a questão da violência contra as mulheres. Alertou sobre os números alarmantes do “feminicício”, sobre a condição das trabalhadoras domésticas e da prostituição. Sónia reivindicou uma vigilância redobrada para a exploração sexual neste período de Copa do Mundo. Como não poderia deixar passar em branco, ela clamou pela urgência da reforma política no País.

Espaço no poder
A segunda Mesa ( coordenada pela diretora do Sinpro, Neliane da Cunha) teve como palestrante a ex-presidente da CUT Brasília e ex-deputada distrital, a professora Rejane Pitanga. Ao falar sobre a CUT, ela disse que Brasília é a unidade federativa do País onde a Central revê o maior número de mulheres na sua direção. Mas sobre a questão de gênero, Rejane diz que ainda há muito a ser feito para se conquistar a paridade, sobretudo a ocupação de espaço no poder.

A professora, que também foi diretora do Sinpro, também fez uma análise sobre os desafios no Distrito Federal. Segundo ela, estes últimos quatro anos foram poucos para a reconstrução do Estado para o pagamento da dívida social com a população candanga. Como exemplo, ela citou a enorme carência de creches.

Rejane abordou ainda a questão da violência, sublinhando que é imprescindível a total autonomia para as mulheres e mais atenção à educação das crianças e adolescentes. Ao analisar o momento político no DF, Pitanga relatou os avanços nos últimos anos. Porém, alertou para os desafios que estão pela frente, pois a direita fundamentalista ameaça frear a marcha das mulheres para a paridade.

Congresso sem representatividade
A terceira e última Mesa (coordenada pela diretora do Sinpro, Rosilene Correa) teve a presença da deputada federal Érika Kokay (PT-DF), que iniciou sua fala abordando a necessidade de humanização para o enfrentamento da violência. Segundo Érika, a violência doméstica é um mal que fere a identidade da mulher. Mas a deputada não se ateu apenas as questões femininas, ela fez uma extensa defesa em favor das minorias: índios, negros, e população LGBT.

Ao fazer sua análise do momento político do País, Érika ao se referir ao Congresso Nacional disse que ele não representa a sociedade, daí a necessidade urgente de uma reforma política. Ela também pediu que ninguém mais de refira à Câmara Federal como Câmara dos deputados, pois ela se recusa a estar neste mesmo barco.

Militância nas ruas
Para Érika, o momento político é extremamente delicado já que a direita, aliada à grande imprensa, tenta mostrar a falência do estado de direito e vem com tudo para tentar reaver o poder e, assim, provocar um retrocesso histórico. A deputada federal diz que realmente faltaram reformas estruturais nos governos petistas, mas em compensação o trabalho e a distribuição de renda nunca foram negociáveis. Érika concluiu sua fala enaltecendo a coragem das mulheres: “não mexam comigo, pois sou mulher!

A diretora do Sinpro, Rosilene Correa, ao encerrar os trabalhos da Mesa, acrescentou que nas próximas eleições o que está em jogo é um projeto de sociedade no qual os trabalhadores têm vez e voz, embora a mídia convencional tente convencer as pessoas do contrário. Rosilene finalizou afirmando ter certeza que as militantes estarão nas ruas.

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