Por administrador em 20/jan/2009

CUT se manifesta contra taxa de juros



Os sindicatos cutistas do Distrito Federal, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba estão mobilizando suas bases para se manifestarem nesta quarta-feira, dia 21, contra a alta taxa de juros praticados no Brasil. Nesta data o Copom (Comissão de Política Monetária) se reúne para divulgar os novos valores da estratosférica taxa Selic de juros. A CUT reitera que o único caminho para enfrentar a crise é desenvolvimento com geração de emprego e renda. E para isso é imprescindível uma expressiva redução da taxa de juros, tanto da taxa selic como também dos juros cobrados pelo sistema bancário para a produção e o consumo.

As manifestações ocorrerão nesta quarta-feira (21), às 10 horas, ao Banco Central em Brasília e em seus escritórios regionais.

É necessário ampliar a mobilização e pressão pela redução dos juros e pela implantação das propostas cutista de geração de emprego e renda.

CUT abre série de mobilizações em defesa dos empregos e dos salários

Aproximadamente 15 mil trabalhadores e trabalhadoras realizaram grande manifestação na manhã desta terça, dia 20, em torno de indústrias metalúrgicas do ABC paulista.

As manifestações incluíram assembléias nas portas das fábricas da Ford, da Mercedes-Benz, Scania, Volks, Karmann-Ghia e Mahle, além de autopeças no entorno da avenida Kennedy, uma das principais de São Bernardo do Campo. As assembléias tiveram início por volta das 6h, atrasando a entrada dos turnos de trabalho. Em seguida, os trabalhadores iniciaram caminhada em direção ao estacionamento da Mercedes, onde chegaram às 7h. Logo depois, já eram mais de 12 mil militantes e trabalhadores quando teve início a passeata pela avenida 31 de Março, rumo à porta da Mahle.

“Não podemos abaixar a cabeça diante da ameaça de demissões. Então vamos todos juntos, homens e mulheres, horistas, mensalistas, metalúrgicos, operários da construção civil e químicos, todos para as ruas defender nossos empregos e salários”, resumiu Adi dos Santos Lima, secretário geral da CUT-SP e um dos comandantes do carro de som, assim que a passeata saía do estacionamento da Mercedes. A maioria dos manifestantes era composta de metalúrgicos.

O secretário geral da CUT Nacional, Quintino Severo, resgatou o espírito da resolução da Central sobre a crise financeira internacional. “Essa crise foi criada pela especulação, por esse modelo econômico perverso. Os trabalhadores não criaram esse problema, então não devem pagar por ele. Não adianta vir com propostas de redução de salário ou de suspensão de contrato porque nós não vamos nos curvar”, afirmou.

Expedito Solaney, secretário nacional de Políticas Sociais da CUT, ao falar na seqüência, também atacou a especulação financeira e o capitalismo. “No mundo, o investimento em papéis é muito maior que o dinheiro aplicado em produção, na geração de riquezas e de bens para o conforto humano. É essa discrepância que levou os centros financeiros ao colapso. Cabe a nós apontar as verdadeiras causas do problema para podermos dizer que a alternativa é criar emprego, investimento em produção, e não aceitar essa lógica derrotista de alguns empresários”.

O cantor Fabrício Ramos, ainda um pouco conhecido artista que reside no ABC, embalou este momento da manifestação cantando “Vida de Gado”, de Zé Ramalho, e “Pra não Dizer que não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, sobre o caminhão de som.

Paulo Lage, presidente do Sindicato dos Químicos do ABC, destacou a posição da CUT de não aceitar os termos da negociação que a Fiesp/Força tentou emplacar nas semanas passada e retrasada, em que já se davam como certas a necessidade de reduzir salários e suspender contratos de trabalho para enfrentar aquilo que classificavam como “tsunami” inevitável de demissões.

“A CUT está certa em exigir que cada empresa e cada setor sejam analisados caso a caso, porque os impactos da conjuntura acontecem de maneira diferente para cada um. Não podemos embarcar nesse clima de pânico que a grande imprensa e empresários oportunistas querem criar, como um comportamento de manada”, afirmou. Neste momento, por volta das 10h, a concentração era na porta da Mahle.

O presidente da CUT, Artur Henrique, abriu sua intervenção parabenizando a capacidade da militância e dos sindicatos em organizar a manifestação. “Vocês sabem dar o exemplo, manter os trabalhadores organizados e mobilizados para defender seus direitos. A única garantia para atravessarmos este momento difícil é lutar pela garantia de empregos e salários. Por isso é preciso tomar as ruas, literalmente, como estamos fazendo agora”, disse Artur, diante das duas pistas da 31 de Março absolutamente ocupadas por manifestantes.

Em seguida, fez um retrospecto do comportamento da economia brasileira em 2008, para afirmar que há muito espaço para que as empresas mantenham os empregos. “Vocês aqui sabem muito bem, nos últimos anos trabalharam em três turnos, aos sábados e domingos, em horas extras. Tudo porque a indústria automobilística brasileira bateu recordes de produção e vendas. Em 2008, 3, 5 milhões de carros foram vendidos, número que eles esperavam atingir apenas em 2010. Então, tem muita gordura pra queimar. Temos condições de encontrar alternativas, em processos de negociação sérios, para atravessar os meses de desaceleração econômica até a retomada. O que não podemos aceitar é que empresários que tiveram altos lucros se aproveitem da crise para propor, de maneira irresponsável, porque não acreditam no Brasil, com o apoio de certos sindicalistas, de cortar direitos e salários”, atacou Artur, em referência à Fiesp/Força.

O presidente da CUT, ao resumir a audiência que havia tido na noite anterior com o presidente Lula, relatou as propostas que levou ao governo federal: fim do superávit primário, redução brusca dos juros – pelo menos de dois pontos percentuais – e pulso firme sobre os bancos, especialmente os públicos, que continuam cobrando juros exorbitantes e taxas absurdas.

“Essa grande mobilização que fizemos hoje é o início de um calendário de mobilizações que a CUT e suas entidades vão fazer daqui para frente, para garantir emprego e renda”, concluiu Artur. As mobilizações que virão podem ter o formato da realizada hoje, com atraso na entrada dos turnos, ou podem incluir greves.

Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, encerrou o ato classificando de “turma do atraso” empresários e analistas que clamam por retirada de direitos. “As demissões que estão ocorrendo não são reflexo puro e simples da tal crise, mas têm ligação direta com o fato de que é extremamente barato demitir no Brasil. Vejam só, no ano passado, quando tudo ia bem, o setor metalúrgico teve uma rotatividade de mão de obra de 38%. Gente que foi demitida para os empresários contratarem outros com salário mais baixo. Isso precisa mudar”, disse Nobre.

“Demissão não é algo natural. É uma violência”, atacou. Para em seguida propor uma votação aos manifestantes presentes: “Se houver demissão em nossa base, será uma declaração de guerra. Vamos lutar, resistir. Quem concorda, levanta a mão”. A proposta foi aprovada por unanimidade.

Scania – Antes da chegada dos manifestantes ao estacionamento da Mercedes, a assembléia na Scania reuniu mais de 3 mil manifestantes. Representaram a CUT Nacional nesse ato a secretária nacional sobre a Mulher Trabalhadora, Rosane da Silva, a secretária nacional de Organização Sindical, Denise Motta Dau, e do secretário nacional de Política Sindical, Vagner Freitas.

Os três destacaram a importância de a CUT apostar na mobilização e na pressão como forma de contribuir para o país atravessar os meses de desaceleração econômica sem a perda dos empregos e dos sal

Imprimir