Por administrador em 25/set/2013

Mais cadeiras vazias



Considerada um dos direitos básicos do cidadão, a educação tem custado caro para os brasilienses. Para ter acesso a um ensino de qualidade, muitos pais sacrificam o orçamento familiar para tirar os filhos da rede pública e matriculá-los na particular. Os números comprovam o acentuado processo de migração. De acordo com o Censo Escolar, divulgado pelo Ministério da Educação, a rede pública perdeu 10,5 mil alunos em 2013. Em contrapartida, as escolas particulares ganharam aproximadamente 17 mil estudantes.
Os dados preliminares, ainda não confirmados pela Secretaria de Educação, mostram que o número de matriculados caiu de 456,9 mil em 2012 para 446,3 mil em 2013. A queda foi mais acentuada nos ensinos Fundamental e Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Já as matrículas nas escolas particulares apresentaram aumento considerável: em 2010 foram 165 mil; em 2011, 176,2 mil; e em 2012, 181,6 mil.

CAUSAS
O diretor de imprensa do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), Claudio Antunes Correia, confirma a queda: “A gente vem percebendo uma diminuição e uma relativa estagnação. Isso aconteceu em função de muitos fatores, entre eles o fato de as famílias estarem tendo menos filhos e o acesso mais fácil à rede particular”, afirma. Mesmo diante do expressivo índice de queda, a redução
não assusta a categoria. Entretanto, Claudio Antunes destaca que falta plane jamento voltado para a educação. “Poucas escolas têm recebido reformas e existe pouco investimento. Por isso, quando os pais ganham um pouco melhor, resolvem matricular os filhos em
escolas particulares”, constata o representante do Sinpro.

DF segue na contramão do resto do País
Segundo a presidente do Sindicato das Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF), Fátima de Mello Franco, a migração da rede pública para a privada está acontecendo, principalmente, devido ao aumento do poder aquisitivo da classe C e D.
O presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF, Luis Claudio Megiorin, destaca que o DF é a unidade da
Federação com o maior número de escolas públicas. Por outro lado, segue na contramão do resto do País no quesito matrículas. “O último censo do IBGE mostra que no Brasil 85% dos alunos estão matriculados nas escolas públicas e 15% nas privadas. Já o DF conta com 71% dos alunos matriculados na rede pública e 28% na privada”, diz.

Um incentivo à mudança
Apesar do empenho dos docentes da rede pública, muitos assumem a falta de estrutura que garanta o suporte necessário ao aluno.
Esse é o caso dos professores de Luã Machado dos Santos, do Guará. “Eles vieram me falar que o Luã é aluno para a UnB e que eu deveria tentar uma bolsa em escola particular, porque ele tem muito potencial. O ensino público não exige tanto como uma escola particular”, admite a mãe do estudante, Gicelda Correa Machado, 49 anos. Luã sempre foi considerado um bom aluno. Apesar da ansiedade para trocar de escola, ele diz estar preparado para um novo desafio. “Ah, essa escola não me merece”, desabafou, certa vez, para a mãe.
A baixa qualidade do ensino foi um dos motivos que fizeram o fisioterapeuta Martín Sotero, 30 anos, enxugar os gastos da família
para mudar o filho de escola. Entretanto, a transferência para o colégio particular não foi fácil. O estudante ficou incomodado com o excesso de conteúdo e dificuldade das matérias. Porém, hoje, Martín percebe que o filho está mais feliz e trabalha todo o seu potencial. “Ele mudou muito. Está adorando a escola”.

Com informações do Jornal de Brasília

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