Por administrador em 16/set/2011

Livro recoloca pensamento de Paulo Freire sobre comunicação



O livro “Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire”, de Venício A. de Lima, será lançado no dia 19/9, às 19hs, na sessão solene de abertura do seminário Paulo Freire Patrono da Educação do Distrito Federal – 90 anos de nascimento, no Auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O livro será vendido no lançamento e na loja virtual (a partir da próxima semana).

Paulo Freire faria 90 anos em setembro de 2011 e para homenageá-lo, a Editora Fundação Perseu Abramo em co-edição com a Editora da UnB vai relançar o livro “Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire”, escrito por Venício A. de Lima.

A partir da análise da obra de Paulo Freire e de muitas horas de conversa com o educador, Venício finalizou a sua tese de doutoramento, defendida em 1979 e que foi adaptada para a primeira edição do livro. Trinta anos depois, a obra é relançada revista e com nova introdução, apresentando a atualidade do pensamento daquele que é reconhecido como o mais importante educador brasileiro. A atualidade dos temas aos quais Freire se dedicava como o direito do cidadão à comunicação o coloca lado-a-lado com pensadores atuais.

No livro, Venício apresenta as ideias de Paulo Freire em quatro capítulos, nos quais são aboradados temas como o contexto social das ideias de Freire, o conceito de comunicação e cultura de Paulo Freire e a importância do educador para os estudos de comunicação.

Leia abaixo a entrevista com Venício A. de Lima:

Como nasceu sua amizade com Paulo Freire e como foram suas conversas com ele para a elaboração de sua tese?

Quando Paulo estava no Conselho Mundial de Igrejas em Genebra fiz vários contatos com ele por carta. Em 1978, era estudante em Urbana, Illinois, e ele participou de um seminário na Universidade de Michigan. Fui lá e me encontrei pessoalmente com ele. Conversamos longamente durantes dois dias. Daí prá frente, até a sua morte em 1997, tive o privilégio de privar de sua amizade e de sua família. Fiquei, inclusive, muito amigo de Elza e, depois, de Nita, sua segunda esposa.

Poucos conhecem o pensamento de Paulo Freire sobre comunicação. Esse seria um dos motivos para a republicação de “Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire” 30 anos depois?

Com certeza. Paulo até hoje é sempre identificado apenas como educador, mas, na verdade, o seu pensamento é muito rico para várias areas do conhecimento, inclusive a comunicação. Creio que uma das razões pelas quais nos aproximamos foi exatamente essa: percebi antes de outros que ele tinha uma contribuição importante para os estudos de comunicação.

Como Paulo Freire – que não dissociava a cultura e a educação da política – entendia a comunicação?

Como uma relação dialógica entre sujeitos em torno do objeto de conhecimento. Só que essa afirmação tem que ser entendida no contexto do pensamento de Freire sobre a sociedade e, sobretudo, o papel do sujeito na transformação criativa das condições nas quais ele se insere socialmente. É isso que tento explicar no livro.

Você estudou a fundo a obra de Paulo Freire. De que forma ela vem influenciando educadores e comunicadores até os dias atuais no Brasil e no exterior?

Infelizmente, na área de comunicação sua influência é  muito menor do que deveria ser. Esse ano mesmo, aqui no Brasil, comemoram-se os 100 anos de McLuhan – um importante autor canadense – mas não se lembra dos 90 anos de Freire. Alguns “puristas” influentes, que irrealisticamente procuram um objeto específico para o estudo daquilo que entendem como comunicação, rejeitam Freire por acreditar que ele não é do mesmo campo de estudos.

Quais sentimentos afloraram em você ao rever a obra sobre Paulo Freire?

Revisando agora o texto de minha tese de doutorado, escrita na segunda metade da década de 70 do século passado, me dei conta de como Freire ainda é atual. O sentimento que me dá é de agradecimento pelo privilégio de tê-lo conhecido e estudado. Espero que a segunda edição do Comunicação e Cultura: as ideias de Paulo Freire possa recolocá-lo na agenda de discussão sobre a comunicação.

Por Reiko Miura

 

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