Por administrador em 09/out/2013

Laboratório sobre rodas conecta escolas rurais



Em um país em que apenas 9% da população tem acesso à eletricidade, mesmo assim quase integralmente na área urbana, soa no mínimo uma ilusão cogitar a aplicação, em larga escala, de recursos tecnológicos na educação. Ainda bem que a Maendeleo Foundation, sediada nos Estados Unidos e em Uganda, é daquelas organizações que adoram pensar “fora da caixa”. Com o projeto The Mobile Solar Computer Classroom – ou seja, uma sala de aula móvel com computadores alimentados por energia solar –, a fundação já beneficiou mais de 23 mil ugandenses ao fornecer tecnologias de informação e comunicação, além de formação em informática, às escolas e comunidades do país que não dispõem de recursos para adquirir esses serviços.

Para possibilitar a criação de um laboratório de informática móvel, dois Toyota RAV4 foram modificados a fim de acomodar, cada um, três painéis solares, 15 computadores, mesas e cadeiras dobráveis, além de outros acessórios. Todo o material, especialmente customizado para caber no carro, é acompanhado por dois professores de informática. Além de ser capaz de chegar a qualquer escola, independentemente de sua localização, a sala de aula móvel também disponibiliza um software de treinamento que atende a diferentes habilidades de aprendizagem, o que permite que os alunos aprendam dentro do seu próprio ritmo. Além disso, o software pode ser traduzido em qualquer língua e, dessa forma, as instruções podem ser lidas nos idiomas locais. Por meio de jogos, as aulas se tornam mais agradáveis e fáceis de serem memorizadas, como ao usar um quebra-cabeças para ensinar o uso do mouse e do teclado.

O projeto, que foi um dos 14 finalistas do Wise Awards 2013 – que premia ideias inovadoras em educação em todo o mundo e ocorre no Catar, entre 29 e 31 de outubro –, tem como principal objetivo abrir as mentes dos alunos e membros das comunidades beneficiadas para as possibilidades que a tecnologia oferece. Além disso, para a economista Asia Kamukama, cofundadora e diretora da Maendeleo Foundation em Uganda, é importante abrir caminho para o desenvolvimento de uma indústria de computadores no continente africano que possa promover o desenvolvimento econômico da região e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

Os desafios são bem claros. A precariedade da infraestrutura, de estradas e até o alto custo da eletricidade, faz com que a prestação de serviços em tecnologia da informação seja algo ainda inviável para a maioria das escolas. O The Mobile Solar Computer Classroom – que foi projetado para chegar até as áreas mais remotas e operar em sistema de rodízio, de forma a atender ao maior número de escolas e comunidades possível – se apoia no uso da energia solar e no baixo consumo de energia dos computadores usados nas aulas para diminuir os custos e quebrar esse ciclo.

No site da fundação, Asia explica que a ideia da sala de aula móvel surgiu quando a Maendeleo instalou, em 2008, um laboratório de informática movido a energia solar em uma escola secundária – do fundamental 2 ao ensino médio – em Ruhiira, no Uganda, como parte do Projeto Aldeias do Milênio das Nações Unidas. “Mas logo ficou claro que, mesmo com os novos computadores de baixa potência, o custo de instalação permanente desse tipo de laboratório limitaria o número de pessoas que a fundação poderia expor à informática. Foi então que nos propusemos a encontrar uma maneira de atingir um público maior e tornar computadores acessíveis à maior parcela possível do país. Isso significava colocar o laboratório de informática na estrada.”

Desde então, 55 escolas foram atendidas com a formação em informática básica. Os professores já estão usando a internet para pesquisas, de modo a complementar seus materiais de ensino e a se conectar com escolas em outros países, por meio de parcerias com instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido. Alguns dos jovens que fizeram parte das primeiras turmas atualmente cursam ciências da computação nas universidades de Kampala, capital de Uganda, e a fundação Maendeleo está trabalhando com eles para se tornarem multiplicadores do projeto.

Com informações do site Porvir

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