Por administrador em 11/out/2011

Grupo de Trabalho discutirá situação de readaptados



 

Está confirmada para a próxima segunda, dia 17, às 15h, a reunião do  grupo de trabalho que reúne o Sindicato dos Professores, o SAE, a DSO (Diretoria de Saúde Ocupacional), a Sugepe (Superintendência de Gestão de Pessoas) e a Eape (Escola de Aperfeiçoamento de Pessoal) para discutir soluções para  a situação dos trabalhadores (as) readaptados da Secretaria de Educação. Na audiência realizada na tarde da última segunda, 10, na Câmara Legislativa, Denilson Bento disse que o grupo irá se debruçar sobre as leis e portarias que tratam dos readaptados da Secretaria de Educação a fim de propor ações para uma mudança efetiva na forma e condições do processo de readaptação.

Ao abrir o debate da audiência proposta por ela, a deputada Rejane Pitanga chamou a atenção para o tratamento desumano que esses profissionais recebem ao retornarem ao trabalho como readaptados. Ela lembrou que é preciso mudar o quadro de descaso e desrespeito em relação a profissionais que estão com problemas de saúde relacionados ao trabalho porque o sistema como um todo só tem a ganhar com o aproveitamento do potencial que eles têm.

Para a pesquisadora da UnB, Ana Magnólia, a base de um processo de reabilitação é o reconhecimento de que o trabalho cura e adoece ao mesmo tempo e é parte determinante de qualquer cidadão. “Ao sofrimento da enfermidade em si se somam o sentimento de abandono e exclusão e isso só agrava o quadro, a doença se torna crônica”, afirma ela, que coordenou uma pesquisa feita em parceria com o Sinpro sobre a saúde do professor da rede pública de ensino. Ela acredita que é preciso discutir na área federal o estabelecimento de nexo causal de muitas doenças que hoje não são consideradas pela legislação como oriundas do trabalho.

“Precisamos de políticas públicas que garantam um novo olhar para a educação, com adoção de medidas preventivas à saúde dos profissionais”, defendeu a diretora da Secretaria de Saúde do Trabalhador (a) do Sinpro, Maria José, a Zezé. Ela ressaltou que a preocupação com a situação vivida pelos professores e professoras doentes levou  o Sindicato a criar um espaço de acolhimento psicológico e a maioria dos atendidos são readaptados. Ela falou ainda sobre o atendimento jurídico específico para questões ligadas à saúde mantido pelo Sinpro e ressaltou que as sugestões apresentadas pelos próprios professores readaptados durante encontro realizado pelo Sindicato serão levadas ao grupo que discute mudanças no processo de readaptação.

O representante da CNTE, Antonio Lisboa, ressaltou que o adoecimento da categoria é detectado em todo o país. “O número excessivo de alunos por turma, as jornadas estressantes, a violência no ambiente escolar, o sentimento de fracasso que nos atinge ao percebermos que não conseguimos transformar essa realidade, tudo isso contribui para esse adoecimento”, afirmou ele. Eles acredita que falta melhor preparação dos professores para o trabalho que exercem. “Apenas para citar um exemplo: nosso maior instrumento é a voz e nas faculdades não nos ensinam a utilizá-la”, lembrou ele.

Para José Eudes, presidente da CUT-DF é preciso criar um programa que prepare esses profissionais para o retorno ao trabalho e os colegas para recebê-los e para entenderem que suas limitações não o incapacitam para o fazer pedagógico. Com ele concorda o diretor do SAE, Denivaldo Alves, que também ressaltou a necessidade de humanização do atendimento na  perícia médica.

 A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) fez um apelo para que a relação entre a Secretaria de Educação e os professores seja mais humanizada. “É preciso acabar com essa cadeia de vitimização”, exortou, ao criticar a forma “desrespeitosa” como os profissionais de educação são tratados quando vão se submeter  à perícia médica. “Eles não podem ser vistos como fraudadores”, advertiu.

Imprimir