Por administrador em 18/nov/2014

“Formação e informação são essenciais para avançar”



“A formação e a informação são dois elementos essenciais para avançar no enfrentamento ao capital internacional, que avança com a desnacionalização das nossas economias”, afirmou o secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Antonio Lisboa, no Seminário “Redes e os desafios para a construção de um sindicalismo global”. Iniciado nesta segunda-feira, na capital paulista, o evento debate a promoção dos direitos trabalhistas na América Latina com lideranças sindicais, intelectuais e pesquisadores, tendo por objetivo “a garantia de direitos básicos aos trabalhadores em todas as cadeias de produção”.

Iniciado em 2011 com o nome de CUTMulti, recordou Lisboa, o projeto se fortaleceu com o apoio do centro de formação da DGB BW, da Alemanha, sendo gerido pela CUT em parceria com o Instituto Observatório Social (IOS), a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) e a Confederação Nacional dos Químicos (CNQ). Desde o começo do projeto, foram acompanhadas 11 redes sindicais, criando estruturas capazes de romper com a fragmentação sindical ao estabelecerem planos de ação e objetivos comuns.

“No caso brasileiro, em que saímos de uma eleição onde disputaram dois projetos antagônicos, creio que saímos mais conscientes do nosso papel em defesa dos direitos trabalhadores, de nossa atuação integrada e organizada frente às transnacionais”, declarou Roni Barbosa, da executiva nacional da CUT e presidente do IOS.

O secretário-geral e de Relações Internacionais da CNM, João Kayres, frisou que o grande desafio colocado é a transformação da sociedade num contexto em que a conclamação da revolução francesa por “liberdade, igualdade e fraternidade” foi roubado pelo grande capital, “que quer nos impor sua lógica excludente na porrada”. “Nós somos diariamente bombardeados pela grande mídia, que quer impor o atraso”, frisou Kayres, seja nas relações trabalhistas, seja nas relações sociais. Daí a importância das redes, sublinhou, para fazer a disputa de hegemonia munidos com a política e a ideologia da classe trabalhadora.

Consultor sindical e ex-secretário de Relações Internacionais da CUT, Kjeld Jacobsen lembrou que se em 1969 havia seis mil empresas multinacionais, com um modelo econômico fordista que concentrava verticalmente “da produção de matérias-primas à venda do produto”, já em 2007 eram 79 mil multinacionais, com 790 mil filiais. O poder político destas empresas, que muitas vezes têm um patrimônio que supera o PIB de vários países, explicou, torna inadiável o investimento nas redes sindicais a fim de que o enfrentamento ao capital concentrado não se dê de forma pulverizada, enfraquecida. Kjeld citou o caso das confecções Benetton, que tem cerca de 300 mil ou mais pessoas trabalhando, mas apenas oito mil funcionários. “Tem uma empresa que faz a manga, outra o colarinho, eles fazem o controle de qualidade. Até as lojas são terceirizadas, o que reforça a relevância do trabalho em rede”, esclareceu.

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