Por Maria Carla em 23/out/2017

FNDC denuncia ataques à liberdade de expressão ocorridos no DF



Na semana passada, empresas de publicidade e outras, proprietárias de outdoors, recusaram-se a produzir e a divulgar, nos outdoors do Distrito Federal, uma campanha do Sinpro-DF em que o sindicato denuncia parlamentares que aprovaram a reforma da Previdência do governo Rodrigo Rollemberg (PSB), a qual ataca o direito à aposentadoria do funcionalismo público distrital.

“Não é a primeira vez que ocorre esse tipo de censura com o Sinpro-DF. E neste governo a pressão é tão grande que as empresas de publicidade se adiantam e elas mesmas atuam como censores”, afirma Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF e representante do sindicato na FNDC.

Esse e outros casos de censura, de violação da liberdade de expressão e de perseguição política, ocorridos nos últimos 12 meses, no Distrito Federal, serão sistematizados pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e denunciados em instituições de direitos humanos nacionais e internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA).

Vários casos de perseguição política e denúncias de cerceamento da liberdade de expressão ocorridas no último ano no Distrito Federal foram relatadas na Roda de Conversa pela Liberdade de Expressão e Estado de Exceção, realizada nesse sábado (21), na tenda branca – um espaço público situado na Feira de Artesanato de Brasília, na Torre de TV –, e podem ser registradas na plataforma da Campanha Calar Jamais! no site www.paraexpressaraliberdade.org.br.

A roda de conversa foi uma das atividades da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, que começou no dia 17/10, com o lançamento de um relatório de um ano da Campanha Calar Jamais!, no qual o FNDC sistematiza 70 acasos de cerceamento à liberdade de expressão, desde a comunicadores populares, jornalistas mídia-livristas até a servidores públicos, artistas, entidades, como a repressão a protestos nas escolas ocupadas no ano passado; a censura na internet e redes sociais; e o desmonte da comunicação pública (Empresa Brasileira de Comunicação – EBC), que também é uma forma de cerceamento da liberdade de expressão da população brasileira.

Este ano, o mote principal da Campanha Calar Jamais! são as denúncias às violações à liberdade de expressão. A roda de conversa ocorreu também em várias unidades da Federação. “Os relatos mostram que há muitos casos para além dos que estão sistematizados no relatório. A gente vive sem dúvida nenhuma, paralelamente a esse processo de golpe e dessa ruptura democrática, uma escalada de violações da liberdade de expressão. O relatório mostra tudo isso, mas a conversa realizada na Torre revelou muito mais porque trouxe vários casos inéditos nos depoimentos que ainda não foram sistematizados”, afirma Bia Barbosa, coordenadora do Grupo Intervozes e secretária Geral do FNDC.

Confira fotos:
Arquivo Sinpro-DF/Carla Lisboa

 

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