Por administrador em 16/set/2013

Estudantes de AL lançam balão com câmeras que filmam a estratosfera



Sabe aquela ideia de criar alguma coisa que você sabe que no fundo vai dar certo, mas é preciso muito esforço e dedicação para que ela se concretize? Foi pensando assim que um grupo de quatro estudantes de apenas 16 anos de Maceió, que ainda estão no Ensino Médio, decidiu ir além e voar alto em um projeto denominado ‘Estratosfera’. Dedicado ao experimento durante um ano, o grupo construiu um balão com uma caixa e câmera acoplada para filmar a estratosfera. Com isso, eles conseguiram captar imagens do planeta Terra a 33 km de altitude, distância que corresponde a três vezes a altura alcançada pelos aviões comerciais.

O feito dos jovens pesquisadores Luís Alberto Nogueira, Aloysio Galvão, Derek Fernandes e Júlia Apolônio supreende devido à idade deles. No Brasil, projetos semelhantes só foram executados em pesquisas desenvolvidas por universitários, que possuem um tempo maior de estudo e experiência de vida que vão além da vivência dos adolescentes.

O projeto ‘Estratosfera’ surgiu depois que Luís Aberto Nogueira viu um trabalho semelhante realizado por universitários de uma faculdade do exterior. “Achei interessante e então comecei a pesquisar sobre o assunto. Decidi trazer a ideia para a escola que eu estudo e mostrei aos meus três amigos. Todos toparam e a partir daí organizamos o experimento”, conta. Para isso, Luís Alberto, Aloysio Galvão, Derek Fernandes e Júlia Apolônio pesquisaram e fizeram diversos ensaios até chegar no modelo ideal de balão. Sem contar com qualquer ajuda de especialistas da área, eles fizeram múltiplos cálculos e testes para projetar os equipamentos e evitar, assim, qualquer erro que pudesse comprometer o lançamento e o sucesso do projeto.

“A gente sempre se reunia na casa de alguém para testar os materiais e avaliar as estapas do projeto. Consegui o paraquedas feito de nylon com o meu tio que mora na Flórida, nos Estados Unidos. Esse material não vende no Brasil e também não é enviado pelos Correios. Já o hélio puro (um tipo de gás mais eficiente para esta atividade), que custa muito caro, veio de Recife e foi patrocinado por uma empresa. Ainda tiveram as câmeras que suportam a baixa temperatura de -60º, as quais testei no congelador de casa, e os GPS”, relata Aloysio.

O investimento para que o balão ficasse pronto foi de cerca de R$ 3,5 mil, valor arrecadado com patrocínios adquiridos ao longo do projeto. Depois de um ano, o experimento já aprimorado alcançou o voo perfeito. “A todo momento a gente monitorava o balão pelo GPS. Tinha que dar certo. Foi muito tempo de estudo e dedicação”, conta Luís Alberto.

O experimento foi lançado no dia 25 de agosto deste ano no Planetário de Arapiraca. Após soltarem o balão, os estudantes acompanharam a movimentação dele na estratosfera por cerca de três horas, para resgatar a caixa com as câmeras que registraram as imagens e o GPS.

“O GPS não transmite a altura. Para isso, usamos um programa de uma universidade da Inglaterra para calcular onde ele ia cair. A caixa com o resto do balão foi resgatada na zona rural do município de Campo Alegre [Agreste alagoano]. Percorremos cerca de 38 km de Arapiraca até o ponto onde ele caiu. Mas levamos de carro uma hora para chegar até a área devido à dificuldade do acesso. Para isso, cruzamos a pé plantações e canaviais e ainda levamos quatro horas para achar o local exato da caixa” relata.

“Foi uma trilha longa, mas que valeu a pena”, diz Júlia Apolônio ao revelar que o grupo se emocionou bastante quando viu os primeiros sinais de que a caixa de isopor e a câmara haviam “sobrevivido” à queda. “Lançamos o balão em Arapiraca porque nossa preocupação era com relação ao mar, já que o resgate ia ser difícil. Diante dos nossos cálculos, o resultado foi um sucesso”, acrescenta.

As imagens registradas são impressionantes. O balão vai subindo e girando, passa pelas nuvens até atingir uma altura significativa. As camadas da Terra aparecem perfeitamente. Com o tempo, o céu fica bem escuro. “É uma filmagem de emocionar”, comenta Aloysio Galvão.  “O projeto foi mais do que aprender na prática as matérias exatas. Nós lidamos com as dificuldades fora da nossa zona de conforto. Temos a consciência de que fizemos uma coisa que só se vê em filme ou na televisão”, completa o jovem.

Com informações do Globo.com

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