Por administrador em 03/nov/2014

Estado Palestino: Suécia enfrenta críticas



A Suécia tornou-se o primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer o Estado Palestino como um estado independente. O anúncio oficial foi feito ontem (30) pelo primeiro-ministro Kjell Stefan Löfven, recém-eleito pelo Partido Social Democrata.

Löfven, que já foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Suécia (IF Metall), tem uma ligação muito próxima com o sindicato congênere do ABC paulista. Visitou-o, inclusive, em 2009, quando se discutia a compra de aviões-caça para o Brasil, defendendo o modelo sueco, que acabou vencendo a concorrência, o Gripen.

Com esta decisão, o governo sueco rompeu com a postura dominante entre os países-chave da União Europeia. Estes países defendem a posição de esperar a decisão do processo de paz – emperrado há anos – para só então reconhecer o Estado Palestino, o que cria uma situação de desequilíbrio, uma vez que o Estado de Israel é amplamente reconhecido e protegido.

Já há outros países da UE que reconhecem o Estado Palestino, quase todos do ex-Leste europeu. Mas eles tinham feito este reconhecimento antes de integrarem a União. A Suécia é o primeiro que, desde dentro dela, faz este reconhecimento.

A atitude do governo despertou uma série de críticas. Primeiro, naturalmente, por parte de Israel, que chamou seu embaixador em Estocolmo para Tel Aviv, um gesto clássico de manifestação de descontentamento diplomático sem romper relações. O  ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, foi menos diplomático, e declarou que o governo sueco deveria se dar conta que a situação do Oriente Médio é mais complicada “do que a montagem de um móvel do Ikea” – loja sueca de móveis do tipo monte-você-mesmo, comum na Europa.

Governos de outros países consideraram a decisão “prematura”. A ministra de Relações Exteriores de Estocolmo, também do Partido Social-Democrata, Margot Wallström, respondeu que a decisão de seu governo, ao contrário, é “tardia”, e que a Suécia deveria ter feito este gesto muito antes. Considerou ainda que um reconhecimento destes é que pode favorecer o processo das negociações de paz, emperrado há tantos anos.

A decisão se deu também num momento em que a situação em Jerusalém é muito tensa, depois que as forças de segurança de Israel mataram Muatez Hijazi no telhado de sua casa, um palestino suspeito de ter atentado contra a vida de Yahuda Glick, um militante israelense de extrema-direita. A alegação oficial é de que Hijazi, que ficou dez anos preso por participar da Intifada de 2012, atirou contra os militares. A família nega tal versão, dizendo que ele já estava rendido quando foi morto.

Na sequência houve uma série de protestos em Jerusalém Oriental, onde fica o bairro muçulmano. O governo mandou fechar a chamada “Montanha Sagrada”, onde fica o complexo religioso de Al-Aqsa, visitado regularmente por judeus e palestinos. A alegação do governo é que poderia haver confrontos no complexo, uma vez que militantes judeus estavam chamando uma manifestação no local. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, considerou a atitude do governo israelense “uma declaração de guerra”. O primeiro-ministro Benyamin Netanyahu anunciou que na sexta-feira a mesquita do complexo seria reaberta, por ser dia de orações para os muçulmanos, mas somente para pessoas acima de 50 anos.

Outro fator de tensão envolvendo Israel nesta semana foi a divulgação de uma conversa entre assessores do presidente norte-americano, Barack Obama, onde um deles chamava Netanyahu de “chickenshit”, uma expressão equivalente à “covarde”. O motivo da conversa era a decisão do governo israelense de construir mais prédios para israelenses em Jerusalém Oriental e em territórios que ao ONU reconhece como sendo palestinos.

Diante das críticas, tensões e controvérsias, o governo sueco reafirmou que a decisão “não tem volta”.

(Da Rede Brasil Atual)

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