Por administrador em 11/nov/2013

“Escolas nas periferias deveriam ser muito melhores que as outras”



“As escolas localizadas nas periferias deveriam ser muito melhores que as outras”, defende o economista Haroldo Torres, um dos diretores da Fundação Seade. Presente no seminário “Desigualdades socioespaciais e escolares nas grandes cidades”, que aconteceu nesta quarta-feira (6/11), no Sesc Pinheiros, Torres acredita que as regiões periféricas, onde se concentram as áreas de vulnerabilidade social, precisam de mais investimentos do governo e, principalmente, de políticas públicas voltadas ao seu fortalecimento social.

“Existe possibilidade de políticas que visem a manutenção de professores em regiões de alta vulnerabilidade através de diferenças salariais”, lembrou. Segundo o estudo “Educação em territórios de alta vulnerabilidade”, promovido pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e apresentado durante o evento, a alta rotatividade dos professores nessas escolas é um dos fatores que contribuem para os resultados ruins no aprendizado.

Para o professor e sociólogo francês Sylvain Broccolichi, a estabilidade do corpo docente está relacionada ao progresso dos alunos. “Esse círculo vicioso é muito prejudicial ao sistema escolar”, argumentou, referindo-se a uma parte da pesquisa que evidencia como os professores mais qualificados das escolas de São Miguel Paulista são atraídos pelas ofertas nas instituições de ensino mais próximas ao centro da cidade.

“Isso também ocorre dentro de São Miguel. Há um movimento contínuo de docentes que saem das escolas em regiões mais vulneráveis para àquelas mais perto do centro do distrito. Assim, sempre resta às escolas em zonas suscetíveis os professores com menos qualificação”, afirma Antônio Augusto Batista, coordenador de pesquisas do Cenpec.

Ingresso

Para a pesquisadora Luciana Alves, os problemas começam já no concurso público de docentes. “No primeiro processo de alocação dos professores, os mais bem colocados podem escolher as escolas que querem atuar, eliminando lugares onde não quer trabalhar”, observou.

Portal O Aprendiz

A pesquisa mostrou também que, ao contrário do senso comum, o ambiente onde se estuda pode influenciar também os estudantes que possuem altos recursos culturais (onde considera-se escolaridade dos pais, quantidade de livros em casa, além de outros equipamentos, como televisão e rádio).

De acordo com números da Prova Brasil de 2007, 41% desses alunos que estudam em regiões vulneráveis tiveram desempenho abaixo do básico – ante 50% dos estudantes considerados com perfil de baixos recursos culturais.

Competição

Segundo Luciana, a interdependência competitiva entre as escolas – tanto na troca de alunos como na de professores – apenas prejudica a rotina acadêmica de todas. “Quanto maior a rotatividade docente, pior o resultado da escola”. A pesquisadora ressaltou que as escolas isoladas no território costuma atender uma demanda grande de problemas que deveriam ser atendidos em outros espaços. “A escola é invadida por outros problemas sociais”.

Foi consenso entre os participantes do seminário que devem ser criadas políticas públicas voltadas à permanência dos professores nas áreas vulneráveis da cidade. “Essas escolas demandam políticas focalizadas, em razão da especificidade de seus desafios”, finalizou Luciana.

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