Por administrador em 06/mar/2014

Entidades lançam Fórum pela Democracia e contra o golpe de 1964



Para trazer à tona a justiça, a memória e a verdade sobre do golpe militar de 1964, a CUT, entidades dos movimentos sociais, estudantil, integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, a secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e outros atores lançaram nesta quinta-feira (27), em Brasília, o Fórum em Defesa da Democracia – 50 anos de resistência. Durante o lançamento do Fórum, foi divulgado manifesto assinado por mais de 10 entidades de representação nacional.

Há 50 anos, o povo brasileiro foi vítima de um golpe de Estado que implantou a ditadura militar no país. Teoricamente, o regime durou até 1985, com a volta dos civis à Presidência, mas ainda hoje há resquícios da censura, criminalização de movimentos sociais, uso de força policial contra organizações populares. Também estão aos montes torturadores que não receberam punição e torturados que não puderam contar com justiça e reparação.

Segundo o integrante da Comissão Nacional da Verdade e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Gilney Viana, um dos principais articuladores do Fórum, o objetivo de se formar o grupo de representação nacional é “dimensionar o que acontece em todo o território”. “Precisamos mostrar que existe uma frente nacional que repudia o golpe de 64 e a ditadura implantada. Ainda existe muita gente que é a favor desse momento da história. Há mais ou menos 10 dias, um general das forças armadas assinou um artigo na (jornal) Folha de São Paulo dando a entender que queria desarticular qualquer movimento em combate à ditadura”, disse.

De acordo com Viana, a expectativa é de que os manifestações contra o golpe de 64, nos meses de março, abril e maio, reúnam milhares de pessoas. É importante para a defesa das instituições democráticas e a busca do fortalecimento da democracia no país.

O secretário de Política Social da CUT Brasília, Ismael José Cesar, lembrou, durante o lançamento, que a ditadura e o modelo imperialista estão necessariamente ligados. O dirigente cutista citou o caso das manifestações na Venezuela, onde, segundo ele, “se verifica uma tentativa de golpe patrocinada pelos Estados Unidos”. “Este exemplo é para que nós entendamos o mundo em que vivemos. O mundo está em convulsão. E nós aqui do Brasil, não estamos ilesos. Aliás, concepções arbitrárias herdadas da ditadura ainda estão no dia a dia, com a prisão de líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), criminalização dos movimentos organizados por sindicatos e outros ramos da sociedade civil. Por isso, temos que nos unir para pedir sim memória, verdade e justiça, mas sem nos esquecermos de reivindicar o que queremos para o agora e para o futuro”, avaliou Ismael César.

O secretário de Política Social da CUT Brasília afirmou ainda que será criado um Fórum pela Democracia na capital federal, para relembrar as atrocidades do período da ditadura em âmbito distrital. A primeira reunião do grupo será feita em 13 de março.

O golpe de 64
Desde a morte de Getúlio Vargas, em 1954, militares e políticos de direita brasileiros vinham se articulando e ameaçando se rebelar contra os governos eleitos democraticamente. Esta pressão se acirrou no governo de Jânio Quadros, que renunciou em 1961. O vice, João Goulart, que estava em viagem oficial à China voltou ao Brasil após concordar governar em regime parlamentarista. Mesmo assim, Jango lançou as famosas reformas de base (reformas rural e urbana, entre outras) adotando uma postura considerada socialista.

Com medo do avanço dos interesses populares, militares e as elites sociais se insurgiram e conspiraram para que o presidente fosse deposto em 31 de março de 1964, dando início a um tenebroso e violento período de perseguições de dirigentes e militantes partidários e sindicais, prisões, tortura, mortes, fechamento, ocupação e intervenção de milhares de sindicatos, Os militares golpistas chegaram até a criar plano de contingência em caso de levante esquerdista. Os norte americanos também lideraram a operação “Brother Sam”, que previa o envio de navios ao Rio de Janeiro para apoiar os militares.

O regime ditatorial no Brasil durou 21 anos (1964 – 1985) e soma um número de mortos que ainda não pode ser contabilizado com absoluta certeza. Em 2012, o governo concluiu estudo que insere pelo menos 370 nomes na lista oficial de mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar. O número praticamente triplicou a lista reconhecida pelo Estado de vítimas da repressão política durante a ditadura militar. Hoje, a Comissão da Anistia e da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos registra o número de 379 pessoas mortas pela ditadura militar. Isso sem contar com o altíssimo número de rebeldes que foram enviados a sanatórios como punição e lá morreram.

Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

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