Por administrador em 28/out/2014

Embaixada da Holanda nega reajuste salarial e trabalhadores podem entrar em greve



“Eu não tenho o poder de mudar o sistema; o acordo deve ser feito conforme a legislação do meu país”, afirmou Han Perters, embaixador do Reino dos Países Baixos, durante reunião de negociação, na quinta-feira (24), com dirigentes do Sindnações, sindicato que representa os trabalhadores em embaixadas, consulados e organismos internacionais.

Os trabalhadores da embaixada dos Países Baixos (Holanda) estão em estado de greve desde o dia 21 de setembro, devido à inflexibilidade do governo neerlandês em negociar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria.

“São quase dois anos que tentamos chegar a um acordo satisfatório para a categoria. O que pedimos é o reajuste salarial conforme a inflação do nosso país; os trabalhadores são brasileiros, vivemos no Brasil, não podemos seguir a legislação de outro país”, ressalta o presidente do Sindnações, Raimundo Luís de Oliveira.

A principal reivindicação dos trabalhadores é o reajuste salarial anual com base do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA. Entretanto, o embaixador afirmou não haver possibilidade de isso acontecer, porque, segundo ele, a embaixada é regida conforme legislação holandesa. Portanto, a única forma de reajustar o salário dos trabalhadores seria se o Grupo de Marcadores-GM se mobilizasse e reajustasse o salário dos trabalhadores das outras embaixadas pertencentes ao GM.

Grupo de Marcadores

Grupo de Marcadores é um conjunto de embaixadas. A embaixada da Holanda está coligada à dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá e União Europeia. A estratégia do grupo consiste em reajustar o salário dos trabalhadores com base na média de reajuste das outras embaixadas de seu grupo.

“Eles simplesmente alegam marcadores (método do grupo de marcadores), mas não mostram a fórmula matemática que é usada para tirar essa média, e no final das contas dão o aumento que querem”, explica o secretário de finanças do Sindnações, Marcondes Rodrigues da Silva.

Para os trabalhadores da embaixada da Holanda, o método GM, além de não ser transparente, não funciona, pois uma embaixada fica esperando pela outra para reajustar os salários da categoria.

Promessas

Segundo informações do Sindnações, o ministro-conselheiro da embaixada levará ao Ministério da Holanda as reivindicações dos trabalhadores referentes às cláusulas secundárias do ACT, como auxílio-alimentação de R$ 500 e auxílio-educação para os filhos dos funcionários.

Nova reunião entre patrões e trabalhadores está agendada para o dia 7 de novembro.

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