Por administrador em 13/mar/2014

Educação ajudou a reduzir desigualdade no Brasil, diz ganhador de Nobel



O economista Eric Maskin, um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2007, afirmou nesta quarta-feira que a educação foi uma das principais responsáveis pela redução da desigualdade no Brasil nos últimos dez anos, com a universalização do acesso de estudantes à educação básica. No entanto, segundo ele, é preciso avançar na qualidade.

“(A política anterior) conseguiu fazer com que as crianças fossem para a escola, mas é preciso fazer algo novo. São necessárias novas políticas educacionais para elevar a qualidade da educação”, afirmou, após seminário na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio.

O norte-americano venceu o prêmio juntamente com os economistas Leonid Hurwicz e Roger Myerson, com a teoria que permite distinguir situações em que os mercados operam bem de outras em que não operam. Com o trabalho desenvolvido por eles, avançou-se muito na ciência de como regular o mercado.

Maskin também citou programas de transferência de renda como responsáveis pela redução da desigualdade no País. O economista afirmou ainda que o Brasil teve sucesso na diminuição da disparidade de renda, enquanto isso não ocorreu em outros países em desenvolvimento, como a Índia e a China. “Esses países ainda não introduziram políticas governamentais para redução de desigualdade. Estão mais concentrados no crescimento”, afirmou. Ele alerta que a situação nesses locais deve ser olhada com atenção. “A desigualdade cresceu de uma forma que eles precisarão lidar com esse problema cedo ou tarde, e espero que seja logo”, disse, após debater a disparidade na distribuição de renda em um mundo globalizado.

Questionado sobre lições que o Brasil poderia aprender de outros países, Maskin falou sobre evidências de que crianças na pré-escola, com idade entre 3 e 4 anos, conseguem retorno salarial no futuro. “Colocar as crianças no sistema educacional antes mesmo da idade normal, o que seria entre 3 e 4 anos, pode trazer benefícios futuros a elas, conforme temos visto nos Estados Unidos. Quando elas ingressam no mercado de trabalho, se saem melhor, arrumam melhores empregos e ganham mais”, afirmou, acrescentando que as diferenças são notadas apenas quando elas crescem.

Fonte: Estadão

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