Por administrador em 28/out/2013

Dois milhões faltam e prejuízo do Enem é de R$ 103 milhões



Sem incidentes graves, a maior edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorreu no fim de semana (26 e 27), foi também a que registrou recorde no número de faltosos. Dos 7,1 milhões de inscritos, mais de 2 milhões (29%) não compareceram na prova, segundo dados preliminares do Ministério da Educação (MEC). O índice representa prejuízo estimado em R$ 103 milhões, com base no custo por inscrito.

A taxa de abstenção cresceu em relação a 2012, quando 1,6 milhão de inscritos (27,9%) faltaram. O índice projetado pelo MEC neste ano só é menor do que o registrado em 2009, quando 37,7% não compareceram – naquele ano, entretanto, o exame havia sido remarcado, depois do vazamento da prova, o que prejudicou a participação.

Em 2011, a média de faltas foi de 26,4% e, em 2010, de 28%. O MEC chegou a anunciar que criaria medidas para inibir faltosos, mas recuou. Em vestibulares tradicionais, a abstenção fica em torno de 10%.

Apesar dos faltosos, cerca de 5 milhões de estudantes participaram das provas, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Para o ministro Aloizio Mercadante, o Enem foi tranquilo. “Tivemos algumas ocorrências, mas nada que mereça destaque”, disse ele. “Agora começa a nova fase, que é a correção das provas. Tomamos medidas para aumentar o rigor”, disse. O gabarito oficial será divulgado na quarta-feira. Os resultados serão apresentados no início de janeiro.

No segundo dia, 12 jovens postaram fotos do cartão de matrícula nas redes sociais e acabaram excluídos pelo MEC. No total, foram 36 exclusões por esse motivo – em 2012, houve 65.

De acordo com Mercadante, 2 milhões de tweets foram monitorados na internet. E a equipe de fiscalização continuará atuando. “Se for descoberto que alguma cláusula foi violada, quem a violou será excluído. Não podemos permitir que alguém ingresse no sistema depois de ter violado um exame que tanto esforço deu para ser elaborado.”

‘Gazolina’

O ministro repercutiu a polêmica de uma questão da prova de sábado que trazia uma charge dos anos 1960 com a palavra gasolina grafada com letra ‘z’. Mercadante defendeu que não havia erro, mas escolha pedagógica. “O MEC não pode alterar uma obra de arte, por qualquer razão que seja.”

Como argumento, ele mostrou uma pesquisa feita nas edições dos jornais O Globo, Folha e Estado, com vários registros da palavra gasolina com ‘z’. E o ministro ponderou que o autor do livro, que reproduz a charge, defende a grafia antiga.

Em Unaí, um radialista fotografou o local da prova e tentou sair. Foi preso por tentar violar o sigilo da prova. Também em Minas, cerca de 100 candidatos de Belo Horizonte perderam o exame de domingo porque, segundo eles, os portões da Faculdade Kennedy, na região de Venda Nova, teriam sido fechados 10 minutos antes. Parte deles chamou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência. Mercadante disse que nenhum local de prova fechou antes.

Segundo Mercadante, uma candidata grávida fez a prova no Rio com uma enfermeira do lado. Sentido contrações, ela preferiu acabar a prova e depois seguir para o hospital. No sábado, uma candidata entrou em trabalho de parto em Teresina, Piauí. O nome da filha é Luna.

Em Governador Valadares (MG), um candidato transexual diz ter sofrido constrangimentos. “Pediram para que falasse todos os dados. Quando disse que eu era do sexo feminino, ela riu e perguntou se eu tinha certeza. Fiquei calado”, disse Felipe Henriques, de 17 anos. “Saí da sala duas vezes porque não conseguia fazer a prova e acabei chorando.” Mercadante disse que desconhecia o caso.

 

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