Por Luis Ricardo em 06/jun/2017

Diretas Já: Dois passos à frente



 

Na política, vira e mexe ouvimos a expressão: “dar um passo para trás para dar dois à frente”. Atualmente, diante de fartos ataques a direitos básicos e de retrocessos políticos, socioeconômicos e até cívicos, essa expressão tem vindo à tona com mais frequência. Afinal, em meio à gana de destruição dos golpistas e seus aliados, suas ações têm sido no sentido de intimidar aqueles e aquelas que resistem.

É certo que, num momento de refluxo, é preciso ter mais cuidado, porque tem sido mais fácil perder do que ganhar. Agendas e temas que haviam sido superados voltam à ordem do dia, como se tivéssemos atravessado um túnel do tempo de volta aos anos 90, aos anos 50, ao século passado, à Idade da Pedra.

Há mais de um ano, gritávamos “não vai ter golpe”, numa mobilização popular que reuniu segmentos diversos da classe trabalhadora e setores progressistas. Pensávamos que a palavra golpe estaria fora do nosso horizonte por um tempo, afinal, mal havíamos superado a ditadura que se seguiu ao golpe de 1964, quando uma nova ofensiva reacionária tomou o poder sem vencer as eleições.

Infelizmente, hoje, a palavra de ordem mais significativa da conjuntura também teve de ser resgatada de anos atrás: DIRETAS JÁ. O golpe foi aplicado com a intenção nítida – mais nítida do que nunca – de executar um programa que vinha sendo sistematicamente derrotado nas urnas.

Há alguns dias, com a divulgação da delação dos executivos da JBS, ficou difícil para o governo golpista sustentar a si mesmo e suas reformas antipopulares. Michel Temer não tem votos, legitimidade, nem moral para ocupar o cargo que usurpou. No caso de uma possível queda do ex-vice-presidente decorativo, a única forma de recompor adequadamente nossa democracia é através de eleições diretas, em que o povo escolhe soberanamente o programa de superação desta crise política.

O argumento da inconstitucionalidade não convence: o impeachment sem crime de responsabilidade, que derrubou a presidenta Dilma confronta a Constituição. A “PEC do fim do mundo”, que congela investimentos públicos em saúde e educação, foi aprovada para que eles pudessem confrontar a Constituição. Propor que trabalhadores rurais sejam pagos com casa e comida é uma afronta à Constituição.

Reconhecer o protagonismo popular num momento difícil como o nosso é fortalecer a democracia. A hora é esta: o povo não quer Temer, e a Presidência da República não lhe pertence mesmo. O Congresso que efetuou o golpe e conduziu as reformas e demais iniciativas antipovo, está envolvido até as últimas consequências nos escândalos de corrupção que vêm sendo revelados, portanto, tampouco tem legitimidade nem moral para indicar o próximo presidente.

Devolvam a soberania do povo! Diretas já!

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