Por administrador em 08/dez/2014

CUT discute agenda com Dilma nesta segunda (8)



Por um lado, preparar os trabalhadores para intervir em espaços de discussão sobre políticas públicas. Por outro, cobrar do governo avanços em uma agenda positiva para a classe trabalhadora.

Com esses princípios como ponto de partida, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, anunciou durante encerramento do 1º módulo do curso inaugural de preparação de conselheiros cutistas do macrossetor indústria, que as centrais sindicais terão uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff, na próxima segunda (8), às 17h, em Brasília.

O encontro será o primeiro após as eleições e, conforme destacou Vagner nesta sexta (5), servirá para apontar prioridades da agenda trabalhista. Na pauta estão pontos como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário, o fim do fator previdenciário e a aprovação no Congresso Nacional da convenção 151 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que trata da negociação no setor público.

“É o mesmo governo, mas há um olhar de outro mandato e esperamos construir novos debates. Provavelmente, não teremos um processo de aprofundamento sobre os temas, mas iremos definir quais as prioridades para, já na próxima semana, começarmos a discutir com os ministros. O importante é que façamos uma negociação que se conclua, não fique em aberto eternamente. A credibilidade de um processo negocial é quando você estabelece metas”, cobrou.

CUT rebate Delfim 

O dirigente rebateu ainda as afirmações do economista Antônio Delfim Netto que a CUT apoia uma proposta em que a negociação salarial prevaleceria sobre a legislação do trabalho.

“Não concordamos com o negociado sobre o legislado, porque não há igualdade de condições entre patrão e trabalhador para fazer a negociação. Não há direito à negociação coletiva e nem à sindicalização no Brasil e, no setor privado, quando um trabalhador se sindicaliza, muitas empresas ainda mandam embora. E no setor público, que não tem direito à negociação garantido, o que eu faço? No dia em que tivermos condições iguais de representar o trabalhador com liberdade e autonomia sindical, com a organização no local de trabalho garantida, aí sim podemos tratar disso. Hoje, a manutenção dos direitos garantidos por lei aos trabalhadores é importantíssima e a CUT defende isso”, falou.

Ao falar para os conselheiros da Central que atuam no macrossetor indústria, Vagner lembrou que nenhum país cresceu de maneira sustentável sem apoiar a indústria.

“Boa parte dos países do mundo, especialmente os EUA, quando deixou de investir no crescimento e revitalização indústria, caiu. Não existe crescimento sustentável que possa substituir a produção pelo virtual, que venha a partir da especulação e do rentismo. Só tem crescimento efetivo de qualidade com indústria chefe como carro-chefe da economia.”
Para que essa visão do movimento sindical norteie as ações do governo, o presidente da CUT apontou que os secretários devem estar preparados para intervir em espaços como os conselhos.

“A CUT não quer só discutir salário, queremos também  emprego e a política industrial. E isso não se faz apenas indo à fábrica para dar lucro para o patrão, mas também discutindo como será a fábrica.

Trabalhador no governo 

O dirigente voltou a citar o Ministério do Trabalho ao afirmar que a pasta não deve servir bater no Ministério do Trabalho, ao dizer que a pasta não deve ser usada para fazer briga sindical, enquanto deveria ter papel estratégico no governo.

Presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM-CUT), Paulo Cayres, acrescentou que a contribuição da classe trabalhadora no segundo mandato de Dilma não deve ficar restrita a um espaço ligado diretamente ao mundo do trabalho.

“A gente cobra muito do Ministério do Trabalho, mas não é só ele que devemos discutir. Tem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) também, porque se indústria não for bem, os serviços também não irão, são todos os setores interligados. País desenvolvido tem política industrial de ponta e vamos cobrar isso. Não queremos assistir, queremos ser parte do processo”, defendeu.

Reunião com Monteiro 

A depender das demandas que os trabalhadores do curso apresentaram, a cobrança sobre o MDIC deve começar com um pedido de audiência ao novo ministro indicado por Dilma, o ex-senador Armando Monteiro.

Para os conselheiros cutistas que avaliaram os gargalos do setor, as prioridades são o desenvolvimento tecnológico por meio de centros de pesquisa e ampliação do conteúdo nacional incorporado a mecanismos de rastreamento junto à indústria para que não burle regras com peças importadas.

Ações que dependem da qualificação e unificação do trabalho dos conselheiros, como apontaram os dirigentes sindicais.

Técnicos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Rafael Serrao e Adriana Marcolino resgataram os debates do primeiro dia do curso e lembraram que uma política industrial estruturada depende da política econômica, além de um debate profundo sobre condições dignas de trabalho.

“Durante a ditadura a indústria cresceu, mas a qualidade e as condições de emprego não melhoraram. Não podemos tratar das outras questões e deixar isso de lado”, alertou.

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