Por administrador em 29/jan/2014

Conexões Globais: ‘Exigimos meios de comunicação transparentes’



O debate juntou no palco ativistas de diversos lugares do mundo com uma opinião em comum: a necessidade mundial de meios transparentes de comunicação.

O primeiro debate no último sábado (25/01) no Conexões Globais contou com a presença de Ahmet Ogut, ativista social Turco; Rodrigo Nunes, professor da PUC-RIO; Laura Citlali, ativista política mexicana e representante do movimento #YoSoy132; Yildiz Termurtukan, representante Turca do Comitê Internacional da Marcha Mundial das Mulheres e Alaa Talbi, coordenador do Fórum Social Mundial de 2013 na Tunísia.

O tema “Três anos de revoltas interconectadas – de Túnis ao Brasil” juntou no palco ativistas de diversos lugares do mundo com uma opinião em comum: a necessidade mundial de meios transparentes de comunicação.  Desde 2011, com a Primavera Árabe iniciada em Túnis e sua repercussão virtual para o mundo inteiro, movimentos sociais de diferentes países encontram inúmeros pontos comuns em suas reinvidicações. No debate, ativistas da Tunísia e Turquia falaram sobre como a repressão policial e estatal nos protestos é assustadora.

Ahmet Ogud, representante importante na articulação do #OccupyGezi, assunto que desencadeou uma onda de protestos na Turquia, contou sobre os ataques policiais violentos aos manifestantes. “Houve uma forte repressão no parque Gezi, pessoas levaram tiros. Houve seis mortos e alguns com olhos amputados.”, disse Ogud. Na Tunísia, um jovem foi condenado a sete anos de prisão por ter contestado a religião muçulmana na internet.

Com a hashtag alcançando milhões de pessoas e com a adesão da população aos protestos, a situação na Turquia fez com que fossem criadas leis que banissem sites como Youtube e Vimeo. Nas palavras de Ahmet, “a mídia Turca transmitia documentários sobre Pinguins no lugar dos protestos. Os animais viraram símbolos na ruas.”

Laura Citlali, cicloativista, feminista e ativista política introduziu o projeto #YoSoy132. Com forte oposição ao Partido Revolucionário Institucional (PRI) e ao candidato Enrique Peña Nieto do México, o movimento criado por 131 alunos de uma faculdade particular. “As pessoas que não entendiam as passeatas que fazíamos ou não as aceitavam, nos chamavam de vagabundos. Afirmavam que não tinhamos nada de melhor a fazer. A opinião pública pesa muito no México, protestar gera má fama.”, disse Laura.

Com a repercussão enorme que a hashtag teve contra o governo e com o histórico de omissão midiática mexicana, a cobertura dos protestos foi inexistente. Laura declarou que a mídia foi paga para que não transmitisse ou publicasse nada referente às manifestações, ao mesmo tempo que policiais demandavam permissão para protestar e fechavam ruas.

Yildiz, ativista Turca da Marcha Mundial das Mulheres, também comentou sobre a omissão da mídia na Turquia. “A mídia não fala dos protestos, se cala. Temos um governo que se diz liberal, mas sua política é conservadora.” A ativista apontou ainda a importância que a internet tem ao conectar países e histórias e como essa ligação permitiu – por meio do Skype ou Facebook  – que ela soubesse do cotidiano dos movimentos feministas e das mulheres de São Paulo.

Rodrigo Nunes, lembrando o uso da lista de email, explicou que o MPL (Movimento Passe Livre) se organizou por meio dela e destacou o uso tecnopolítico das redes sociais, “se organizar em rede é natural. ‘Rede’ e ‘rua’ se complementam.” O professor levantou a questão: “E a fase dois [das manifestações]? Sugiro três formas de organização: complementaridade tática e funcional dos protestos, direcionalidade dos assuntos (como os vinte centavos das passagens) e a ecologia de organizações com mediações institucionais. Para desmilitarizar a polícia, por exemplo, é necessária ajuda estatal.”, disse Nunes.

Fonte: Carta Maior

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