Por administrador em 31/out/2008

Condenada sem direito à defesa



A condenação prévia da professora Elizabeth Barros pela mídia faz lembrar o caso da Escola Base, ocorrido em 1994 em São Paulo. Os donos da escola, Maria Aparecida Shimada e seu marido Icushiro Shimada, foram acusados de promover orgias com menores na escola infantil que mantinham no bairro da Aclimação.

A polícia deu crédito excessivo a uma denúncia de mãe de alunos da escola, e a imprensa assumiu a queixa como se fosse fato provado. “Perua escolar carregava crianças para orgia”, estampou , por exemplo, a Folha da Tarde. “Escola de horrores”, sentenciou a revista Veja. A escola sofre depredações e saques por parte de moradores e pais de alunos. Comprovou-se por meio de novos exames e de conversas com as crianças que não houve abuso sexual. Dois meses depois, o inquérito chega à conclusão de que os acusados são inocentes.
O que fizeram com a gente não dá para esquecer jamais, as feridas não cicatrizam’, desabafou Shimada cinco anos depois do ocorrido. Sua mulher teve que passar por tratamento psiquiátrico e ele sofreu dois enfartes. Tiveram que abandonar o projeto de uma vida, a escola.
A atitude da imprensa não foi muito diferente do que ocorreu com a professora Elizabeth, acusada de ter segurado uma criança de cinco anos para que outras crianças pudessem agredi-la. “Professora acusada de dar aula de violência” estampada sob fundo preto, dá bem a medida da irresponsabilidade. A Secretaria de Educação jamais poderia ter exposto o problema à imprensa antes de ouvir a professora e apurar os fatos.
“Minha vida virou um inferno. Fui pré-julgada sem ser sequer ouvida. Não sou esse monstro que pintaram e não seria louca de fazer uma coisa dessas, sou contrato temporário, posso ser demitida a qualquer hora e estou estudando para o concurso. Como faria uma coisa que poderia comprometer meu emprego e o meu futuro profissional?”, defendeu-se ela na última quinta-feira, na sede do Sinpro. O departamento jurídico do Sindicato assumiu a defesa da professora.
Segundo o coordenador do jurídico, Washington Dourado, serão movidas ações por reparação e danos morais contra a Secretaria de Educação, a mãe do aluno e a imprensa. “Não podemos compactuar com essa situação e não aceitaremos que a sindicância seja conduzida pela diretora da Regional de Ceilândia. Quando ela disse que a professora admitira conduta imprópria ela perdeu a isenção”, afirmou ele.

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