Por administrador em 05/nov/2008

Audiência pública expõe falta de saúde de educadores



A situação da saúde dos professores é calamitosa. O aviso foi dado em audiência pública na Câmara Legislativa, convocada para debater o assunto. O clima do encontro podia ser visto pelos cartazes: “Chega de desrespeito e humilhação – os trabalhadores em educação exigem tratamento digno”. Os dados também pediam urgência: pesquisa inédita feita pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Saúde e Trabalho, sob a coordenação do Laboratório de Psicologia e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília, a pedido do Sinpro, revela a verdadeira dimensão dos
problemas de saúde enfrentados pelos professores.

A pesquisa busca avaliar a relação entre saúde e organização do trabalho e a construção de ações preventivas e corretivas. Só no quesito organização do trabalho, 98% dos itens avaliados foram considerados graves ou críticos – ou seja, capazes de acarretar doenças. A forte cobrança por resultados, as normas rígidas para execução das tarefas e a divisão entre quem organiza e quem executa o trabalho foram considerados alguns dos problemas que exigem atenção imediata. As condições de trabalho também são inadequadas, com grande parte dos professores ouvidos reclamando de mobiliário insuficiente, ferramentas inadequadas e muito barulho.

Com essas condições, não surpreende que as relações de trabalho também sejam ruins. Os professores disseram que se sentem isolados, sem apoio ou comunicação. Para eles, falta reconhecimento, confiança e cooperação entre os colegas. Os resultados dessa situação são previsíveis: 37% dos professores disseram ter depressão, e 14%, síndrome do pânico, além de exaustão emocional, cansaço e baixa auto-estima. Fisicamente, os distúrbios mais comuns são laringite e nódulos nas cordas vocais – claramente doenças relacionadas ao trabalho. Maria José Correia, diretora do Sinpro, expressou a indignação geral: “os professores não tiram atestado por brincadeira!”, alertou ela.

Com esses dados em mão, fica ainda mais evidente quão inadequada tem sido a política de saúde do governo. Desde o começo do ano, todo atestado, até mesmo de um dia, deve passar pela perícia médica da GPMO. Se houvesse alguma dúvida sobre os motivos dessa mudança, o governo fez questão de deixar claro em matérias publicadas nos jornais da cidade: Arruda acredita que o alto número de atestados se deve à preguiça e à irresponsabilidade dos professores, e não a problemas de saúde. Enquanto a pesquisa da UnB mostra que uma das causas dos problemas é a falta de reconhecimento e confiança, o governo joga a opinião pública contra os professores e não acredita que eles estejam de fato doentes. “Ao invés de adotar medidas preventivas, o governo adota métodos que só aumentam o constrangimento”, resumiu Adriana da Luz, representante da CUT na audiência.

Denibaldo Alves, do SAE DF, adicionou que esse ano o governo ainda não reuniu o conselho responsável pela elaboração do plano de saúde dos servidores públicos. Um plano já havia sido votado e aprovado pela Câmara Legislativa ainda no governo anterior, e incluía fonoaudiólogos, psicólogos e uma contribuição baseada no salário, e não na idade. Porém, o governo Arruda decidiu deixar de lado a proposta criada pela comissão e elaborar sua própria versão do plano, que deve ser anunciada ainda esse ano.

A pesquisa da UnB é crucial para desmontar as mentiras que o governo espalhou pela mídia. Ela será oficialmente divulgada no 8º Congresso de Trabalhadores em Educação, que acontece nos dias 6 a 9 de novembro na Academia de Tênis.

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