Por Juliana Maciel em 02/mar/2018

Artigo: O dia 8 de março e a luta das mulheres



 

Sobre a origem do 8 de março, consta nos anais revolucionários da classe trabalhadora que a data foi proposta pela alemã Clara Zetkin, membro do Partido Comunista Alemão e militante operária das causas das trabalhadoras, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas em 1910.

Todavia, Clara não propôs o 8 de março como data oficial para se comemorar o Dia Internacional da Mulher. E, sim, que fosse escolhida um dia no ano para ser essa data. Para além de uma mera comemoração, a proposta de Zetkin preenchia a data de conteúdo e estabelecia que seria um momento de mobilizações de mulheres trabalhadoras em todo o mundo, em que se abordariam tanto a pauta da questão das mulheres no trabalho e em outros espaços como a do sufrágio e o direito da mulher ao voto.

Diversas manifestações de trabalhadoras na Europa se seguiram desde a proposta da criação do Dia Internacional da Mulher. Eva Blay disse, certa vez, que a manifestação mais famosa ocorreu em 8 de março de 1917, quando operárias russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos. Essa greve de mulheres foi reconhecida como o primeiro momento da Revolução de Outubro, que resultou na Revolução Russa de 1917.

Portanto, nem toda tradição é conservadora e perversa. Essa do Dia Internacional da Mulher é inspiradora, principalmente para a nossa categoria, que é formada, em sua maioria, de mulheres que estão com direitos trabalhistas, previdenciários e sociais ameaçados por um golpe de Estado em curso que segue eliminando os avanços do Estado democrático de direto e instituindo os mais nefastos retrocessos na vida das mulheres com as devastadoras diretrizes políticas, sociais, econômicas do patriarcado colonialista no Brasil.

Daí por que 101 anos depois dessa greve na Rússia, no dia 8 de março de 2018 (próxima quinta-feira), realizaremos uma Assembleia Geral, do Sinpro-DF, no estacionamento do Teatro Nacional, às 14h30, com compactação de horário. Também participaremos, juntamente com mulheres de vários partidos, movimentos sociais e sindicais do Distrito Federal (DF), do grande Ato Unificado 8M. Esperamos a presença de mais de 10 mil mulheres na Esplanada do Ministérios. Participe!

Venham todas dos quatro cantos do DF e do Entorno! Venham, vamos marchar, cirandar, gritar, batucar, poetizar, cantar contra todos os abutres que dominam os podres poderes de nosso país e que pretendem consagrar a retirada dos nossos direitos. Venham também todos os homens Marchar, nem na frente nem atrás, mas, ao nosso lado.

Venham os homens ao nosso lado, respeitando e entendendo que a história sempre foi feita por todos os gêneros, mas o reconhecimento da construção foi dado apenas masculino, admitindo o lugar de prioridade de fala dado a vocês pelo patriarcado que, milenarmente, domina as nossas sociedades. Venham também os homens porque o homem que é homem é contra o machismo, a lesbofobia, a homofobia, a LGBTI-fobia. Homem que é belo reconhece a injustiça histórica que se dá contra as nossas vidas e nossos corpos, como a violência de gênero, de raça.

Marchemos juntas e juntos contra o golpe, em defesa da democracia, das eleições sem fraude, contra a prisão de Lula, em defesa da nossa soberania e contra a entrega dos nossos recursos naturais (petróleo, energia, águas, terras e minérios). Marchemos todas e todos em defesa da pluralidade e da diversidade, contra o machismo, o racismo e todas as formas de manifestações fascistas. E, por fim, marchemos em defesa de um Brasil feminista e socialista: o dia 8 de março nos espera.

*Artigo de Vilmara Pereira do Carmo
Professora da rede pública de ensino do Distrito Federal e coordenadora da Secretaria para Assuntos e Políticas para as Mulheres Educadoras do Sinpro-DF

Clique no título a seguir e confira: Nada de incêndio na fábrica! Esta é a verdadeira história do 8 de março

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